Com a aproximação das férias, muitos procuram praias menos conhecidas, percursos de montanha ou destinos onde o alcatrão termina bem antes do ponto de chegada. O problema é que encontrar um automóvel com genuínas capacidades de todo o terreno tem-se tornado cada vez mais raro.
É verdade que os SUV dominaram o mercado, mas também é um facto que, apesar do aspeto musculado, grande parte destes modelos está longe de ter aptidão real para enfrentar trilhos fora de estrada.
Para quem gosta de aventura, há uma boa notícia: no mercado de usados continuam a existir propostas muito interessantes. Assim, passámos pelo PiscaPisca.pt e reunimos seis modelos com verdadeira vocação para o todo o terreno.
Esta escolha está dividida em dois blocos: três opções mais económicas, com custos de utilização relativamente controlados e boas competências fora de estrada, e três jipes “à antiga”, mais dispendiosos na compra e na manutenção, mas consideravelmente mais eficazes quando o asfalto passa a ser exceção.
Comecemos pelas propostas mais acessíveis.
Dacia Duster
O que é? Poucos modelos fizeram tanto para tornar o todo o terreno mais acessível como o Dacia Duster. Desde a estreia, ganhou destaque por juntar, de forma difícil de bater, preço competitivo, robustez e versatilidade.
Mesmo com tração dianteira, a altura ao solo elevada e os bons ângulos de ataque, ventral e de saída permitem lidar com caminhos de terra, pisos muito degradados ou trilhos em zonas florestais com uma facilidade pouco comum num SUV deste segmento. Já nas versões 4×4, o patamar sobe, com a tração necessária para enfrentar superfícies de fraca aderência.
Sem a complexidade técnica dos jipes tradicionais - e também sem os respetivos custos de compra e de manutenção - o Duster continua a ser uma das formas mais baratas de chegar onde muitos SUV atuais não conseguem. No mercado de usados, até aos 20 mil euros, encontram-se exemplares tanto da primeira como da segunda geração.
O que ter em atenção? Nos Diesel 1.5 dCi, confirme o estado do filtro de partículas (FAP) e da válvula EGR, sobretudo se o carro tiver feito maioritariamente utilização citadina. Esteja atento a possíveis fugas de óleo ou de líquido de refrigeração e verifique se o plano de manutenção foi cumprido dentro dos intervalos recomendados.
Nas variantes com tração integral, vale a pena avaliar com cuidado o diferencial traseiro e a embraiagem, procurando folgas, fugas ou indícios de uso exigente fora de estrada. Em qualquer versão, inspecione ainda a suspensão, a zona inferior da carroçaria e as proteções do motor, procurando impactos ou corrosão.
FIAT Panda Cross
O que é? As dimensões podem enganar. Verdadeiro David num mundo de Golias, o FIAT Panda Cross mostra-se surpreendentemente capaz quando o piso se torna mais difícil, mantendo a reputação construída pelos seus antecessores.
Com maior distância ao solo face ao Panda “normal”, ângulos de ataque e de saída muito favoráveis e tração integral, consegue ultrapassar obstáculos que deixam para trás muitos SUV compactos. O baixo peso é outro dos seus pontos fortes, ajudando-o a avançar com facilidade em terrenos escorregadios.
O que ter em atenção? Nas versões com o motor bicilíndrico 0.9 TwinAir, assegure-se de que a manutenção foi feita nos prazos recomendados e verifique se há consumo anormal de óleo ou fugas na zona do turbocompressor. No ensaio, esteja atento a vibrações excessivas e a funcionamento irregular do motor.
Confirme também o correto funcionamento do sistema 4×4 e da embraiagem. Inspecione a suspensão, os amortecedores e a parte inferior da carroçaria, à procura de danos associados a utilização frequente fora de estrada e de sinais de corrosão, especialmente no escape e nos braços da suspensão.
Suzuki Vitara
O que é? Ao contrário de muitos SUV compactos modernos, o Suzuki Vitara manteve-se fiel às suas raízes. Pequeno, leve e disponível com o sistema de tração integral AllGrip, continua a ser uma das propostas mais competentes do segmento quando o alcatrão dá lugar a terra batida, neve ou lama.
Sem pretender medir forças com jipes mais “puros”, destaca-se pelo peso contido e pela mecânica simples, dois fatores que o ajudam a ir mais longe do que a maioria dos SUV com vocação essencialmente urbana. A isto soma-se uma boa reputação de fiabilidade e custos de utilização relativamente moderados, o que o torna uma aposta sólida no mercado de usados.
O que ter em atenção? Nos 1.4 BoosterJet, confirme que a manutenção foi cumprida dentro dos intervalos recomendados e preste atenção a eventuais ruídos vindos da corrente de distribuição. Durante o ensaio, verifique se a resposta do motor é progressiva e sem falhas, despistando possíveis problemas no sistema de injeção.
Seja qual for a motorização, examine com detalhe a parte inferior da carroçaria e a suspensão, sobretudo nos AllGrip, que podem ter visto utilização fora de estrada.
Confirme ainda se todas as campanhas de recolha foram realizadas. Nas primeiras unidades produzidas existiram campanhas relacionadas com o sistema de travagem automática de emergência e com os parafusos de fixação do eixo traseiro.
Verifique também o correto funcionamento do sistema de infoentretenimento e procure mensagens de erro associadas aos sistemas eletrónicos de assistência à condução.
Jeep Wrangler
O que é? Entre os jipes tradicionais, o Jeep Wrangler tinha de aparecer em primeiro lugar. Poucos automóveis personificam tão bem o todo o terreno como o Wrangler, herdeiro direto do Willys e ainda hoje mais orientado para a eficácia fora de estrada do que para o conforto em estrada.
O chassis de longarinas, as redutoras e os excelentes ângulos característicos permitem-lhe enfrentar obstáculos que poucos modelos conseguem superar. É, também, um dos raros automóveis modernos a manter um espírito verdadeiramente aventureiro.
Depois de versões inicialmente Diesel, o Wrangler recebeu mais recentemente uma variante híbrida carregável que, como se pode ver no vídeo acima, não lhe retirou capacidade fora do asfalto.
O Wrangler deixará de ser comercializado este ano no mercado europeu, algo que pode contribuir para a valorização das unidades disponíveis em segunda mão.
O que ter em atenção? Nos Diesel 2.8 CRD, confirme o histórico de manutenção e procure fugas de óleo ou de líquido de refrigeração. Verifique o funcionamento correto da caixa de redutoras e inspecione eixos, transmissão e direção, procurando folgas ou vibrações - relativamente comuns em unidades usadas de forma intensiva fora de estrada.
Nas versões híbridas 4xe carregáveis, confirme que todas as campanhas de recolha foram feitas, sobretudo as relacionadas com a bateria de alta tensão. Durante o ensaio, verifique se o carregamento decorre normalmente e confirme que não surgem mensagens de erro ligadas ao sistema híbrido.
Em qualquer motorização, examine com atenção o chassis, procurando corrosão ou sinais de utilização extrema. Avalie o estado das proteções inferiores, dos eixos e da transmissão, garantindo que não existem danos provocados por impactos.
Land Rover Discovery 3
O que é? O Discovery continua a destacar-se pelas suas aptidões fora de estrada. Com suspensão pneumática e o sistema Terrain Response, que ajusta automaticamente parâmetros essenciais do veículo ao tipo de piso, foi um dos primeiros modelos a colocar a eletrónica ao serviço do todo o terreno, abrindo caminho a uma tendência que rapidamente se generalizou.
Em estrada, oferece um nível de conforto difícil de igualar noutros jipes desta geração e, fora dela, permanece uma referência graças à combinação de suspensão de longo curso, eletrónica sofisticada e caixa de redutoras.
Chegou a existir com um V8, como é “da praxe” na marca, mas foram as versões Diesel que reuniram mais adeptos. Ainda assim, trata-se de um automóvel que pede manutenção rigorosa.
O que ter em atenção? Nos 2.7 TDV6, confirme que a suspensão pneumática sobe e desce a carroçaria sem hesitações e que o compressor não fica a trabalhar continuamente - um dos problemas mais comuns neste modelo. Dê prioridade a exemplares com histórico de manutenção completo e realizado em oficinas especializadas.
Independentemente da versão, verifique o estado dos braços da suspensão, dos cubos das rodas e do travão de estacionamento elétrico.
Antes de avançar para a compra, teste também o Terrain Response e os restantes sistemas eletrónicos, procurando mensagens de erro no painel de instrumentos.
Mercedes-Benz Classe G
O que é? Poucos automóveis conseguem igualar o estatuto do Classe G. Apesar de se ter transformado num símbolo de luxo, nunca perdeu os atributos que o tornaram uma referência entre os jipes.
O chassis de longarinas, os três bloqueios dos diferenciais e a caixa de redutoras continuam a colocá-lo entre os veículos mais capazes alguma vez produzidos para utilização fora de estrada.
É, igualmente, um dos modelos que melhor conserva o valor no mercado de usados - uma “má notícia” na compra, mas uma vantagem evidente quando chegar o momento de o vender.
O que ter em atenção? Observe cuidadosamente o chassis e a carroçaria, procurando corrosão, sobretudo nos exemplares mais antigos. Confirme o funcionamento correto dos três bloqueios de diferencial e da caixa de redutoras, já que as reparações podem ser muito dispendiosas.
Nas motorizações Diesel, procure fugas de óleo e verifique se as revisões foram feitas dentro dos intervalos recomendados.
A suspensão, a direção e os componentes da transmissão também devem ser avaliados com rigor, principalmente em veículos usados com frequência fora de estrada. Nas unidades mais recentes, confirme ainda o funcionamento de todos os equipamentos eletrónicos e dos sistemas de assistência.
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