Contexto: o Impreza a tentar conquistar os compactos
Há alguns meses, conduzimos o novo Impreza e ficámos com a sensação de que, na sua tentativa de entrar de forma mais séria no mercado dos compactos de cinco portas, o resultado era competente - com a excepção de que os designers pareciam ter-se perdido e ido parar algures na Coreia, por volta de 1995.
Mas isso já sabe, porque tem olhos. O que ainda não sabe é como se comporta a versão STi de 2,5 litros com especificação do Reino Unido, e é precisamente por isso que estou no Autódromo Internacional de Adria, perto de Veneza, em Itália. Ainda assim, fazer um ensaio apenas em circuito soa estranho, tendo em conta que o STi construiu a sua fama a despedaçar estradas.
A parte mais difícil de encaixar sobre o STi é que, agora que está no lado mais extremo do mercado dos compactos, entra em duelo com o Golf R32 da VW e com o S3 da Audi - carros que já trabalham este território há tempo suficiente para terem a fórmula perfeitamente afinada.
Aposta da Subaru: menos ruído, mais conforto
Consciente disso, a Subaru reduziu o barulho e melhorou o conforto de rolamento, numa tentativa de alargar o apelo do modelo e apagar, com um aerógrafo, a memória dos seus dias à Studio 54, quando tudo era ailerons traseiros azul-eléctrico, jantes douradas e excesso ostensivo.
É uma estratégia arriscada. Mantendo a metáfora musical, é como a banda que muda o som para subir nas tabelas e acaba por deixar para trás o seu núcleo duro de fãs. Silenciar aquele borbulhar característico do motor boxer pode, no fim, afastar os 1,500 fãs “Scooby” que compraram a última versão do STi, em vez de conquistar novos.
No circuito de Adria: como anda o STi 2,5 litros
O que seria uma pena, porque este é, claramente, um carro para fãs do Impreza. É verdade que há menos potência - 296bhp face aos 304 da versão japonesa de 2.0 litros - e, num contexto exclusivamente de pista, pode saber a pouco. Ainda assim, essa potência é muito utilizável a regimes mais baixos e a dose de diversão mantém-se elevada, muito por culpa de níveis enormes de aderência.
A nova suspensão traseira multi-link, a via 45mm mais larga e a distância entre eixos alongada para 2,625mm contribuem para um carro fácil de colocar e atirar para dentro das curvas, mesmo que a direcção pareça um pouco menos comunicativa do que nas gerações anteriores.
Diferencial central e modos de resposta: a versatilidade do STi
No entanto, assim que começa a mexer nas três definições automáticas ou nas regulações manuais em seis passos do diferencial central, percebe rapidamente a versatilidade real do STi. Com o uso diário, chega ao ponto de conseguir ajustar o enviesamento em andamento, consoante a situação - tal como fazem os rapazes dos ralis.
E isto acontece ainda antes de se pôr a explorar os três modos de resposta do acelerador e de mapeamento do motor.
O STi tem um potencial enorme e, no que toca a carros para quem gosta mesmo de conduzir, será um dos melhores de 2008. Só não se esqueça de passar pela Prodrive para montar um escape desportivo.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário