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BMW 420d Gran Coupé (Série 4): ensaio em Portugal

Carro BMW 420d Gran Coupe azul estacionado dentro de concessionário moderno com luz natural.

Depois de termos recebido as versões Coupé e Cabrio, faltava apenas que o BMW Série 4 Gran Coupé passasse pela garagem da Razão Automóvel - e chegou finalmente na configuração 420d.

Ao contrário do Série 3 atualmente à venda, a segunda geração do Série 4 Gran Coupé não disponibiliza qualquer variante híbrida plug-in. Por isso, um dos alicerces da gama continua a ser o Diesel que aqui testamos, o 420d, com particular relevância junto do mercado empresarial.

O BMW 420d Gran Coupé apresenta-se como uma proposta discreta e civilizada, mas quis perceber se continua a ser uma resposta completa para o dia a dia. Querem apostar? Aceitamos prognósticos na caixa de comentários…

Mesma fórmula… «pacote» diferente

Em matéria de estilo, a receita mantém-se fiel ao que já conhecíamos: uma berlina de cinco portas com silhueta de coupé, tejadilho baixo e uma bagageira muito funcional (470 litros), tudo embrulhado num conjunto bastante elegante.

Ainda assim, não se trata apenas de uma evolução estética. O Série 4 Gran Coupé cresceu em todas as dimensões e encurtou ainda mais distâncias para com o seu «irmão», o Série 3 - uma berlina tradicional de quatro portas - com quem partilha plataforma e a mesma linha de montagem em Munique (Alemanha).

Em comprimento, soma mais 14,3 cm, fixando-se agora nos 4,783 m. Na largura, o ganho é mais contido: 2,7 cm (1,852 m). Já em altura, aumentou 5,3 cm, passando a medir 1,442 m.

Ao volante do 420d

Apesar de existir oferta a gasolina e Diesel, o 420d - 2,0 l e 190 cv - é, para já, a única alternativa Diesel disponível no novo BMW Série 4 Gran Coupé em Portugal.

Tal como nas restantes motorizações, há um sistema mild-hybrid que assegura temporariamente um boost de potência de 11 cv (8 kW) e contribui para uma atuação mais rápida e suave do Start & Stop.

É também a escolha com maior peso no mercado nacional, e percebe-se facilmente porquê: entrega um desempenho convincente, mantém os consumos sob controlo e oferece… uma autonomia muito elevada. Tudo isto sem beliscar a competência dinâmica que este chassis é capaz de proporcionar.

Ao longo dos dias em que estive com ele, registei uma média de 6,3 l/100 km - valor que poderia ter descido caso tivesse feito mais quilómetros em autoestrada, onde este bloco revela uma eficiência particularmente boa.

Independentemente do número final, há algo que esta mecânica faz questão de provar: os Diesel modernos são praticamente irrepreensíveis e continuam a fazer sentido. No fim, tudo depende do tipo de utilização.

Do ponto de vista de funcionamento, é um motor muito educado: pouco ruidoso, eficaz e sempre pronto a responder. Ainda assim, em regimes mais baixos, nota-se a presença de algumas vibrações, embora o nível de refinamento global do conjunto continue a ser digno de destaque.

E a dinâmica?

Mesmo tendo «engordado» 185 kg face à versão equivalente da geração anterior, este 420d Gran Coupé preserva a repartição de massas ideal de 50-50 e beneficia de vias mais largas em ambos os eixos, o que se reflete numa estabilidade de grande nível.

Na estrada, isso traduz-se numa aderência lateral elevada que permite «abusar» nas curvas, sempre com um comportamento previsível. Com agilidade suficiente e uma direção rápida, este 420d Gran Coupé assenta num chassis que continuamos a elogiar sem dificuldade.

E a sensação intensifica-se quando elevamos o ritmo: a posição de condução muito baixa, o volante quase na vertical e os bancos com um apoio muito bem conseguido ajudam a compor uma experiência claramente mais desportiva.

Tudo isto sem sacrificar demasiado o conforto. A unidade testada vinha equipada com jantes opcionais M de 19” e com suspensão desportiva M e, sejamos francos: não há milagres.

O acerto é firme e percebe-se sobretudo em pisos mais degradados. Ainda assim, nunca denuncia fragilidades, não apresenta ruídos secos e, no balanço geral, está longe de poder ser acusado de desconfortável.

É o carro certo para si?

O equipamento de série fica aquém do desejável - uma «tradição» entre os premium alemães - e os opcionais têm preços elevados, o que faz escalar rapidamente o valor final deste Série 4 Gran Coupé. Ainda assim, a BMW conseguiu apurar uma proposta que já tinha deixado excelentes indicações na geração anterior.

Para quem procura a polivalência de uma berlina e a elegância de um coupé, sem abdicar do prazer de condução, este modelo de Munique continua a ser um «pacote» muito apetecível.

E para quem faz muitos quilómetros, sobretudo em autoestrada, o Diesel do 420d continua a ser, sem dúvida, a escolha mais lógica.

Com o depósito cheio, é possível chegar (e até ultrapassar…) os 1000 km de autonomia - um valor com o qual o «irmão» elétrico desta proposta, o i4, apenas pode sonhar.

A juntar a isso, somam-se consumos relativamente baixos, boas prestações (7,3s dos 0 aos 100 km/h e 235 km/h de velocidade máxima) e uma condução envolvente que contraria os adeptos da teoria «de café» baptizada de “os Diesel são aborrecidos”.

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