A Land Rover, a marca que há mais de 60 anos ajudou a pôr o mundo a pensar em todo-o-terreno e que sempre viveu de uma imagem profundamente associada à lama, acaba de lançar um Freelander de tração a duas rodas: o eD4 - o equivalente automobilístico a ver umas galochas Hunter a desenharem umas sapatilhas.
Para quem é fã incondicional dos Landy, isto pode soar a motivo de alarme. Ainda assim, há cada vez mais compradores à procura deste paradoxo chamado SUV de 2WD. Num modelo como o Kia Sportage, por exemplo, 65 por cento das vendas são de versões com duas rodas motrizes. A Land Rover é mais prudente e espera que 20 por cento das vendas do Freelander venham deste novo eD4. A maioria deverá ir para clientes de frotas, graças aos 158 g/km de CO2 e aos 47,2 mpg (6,0 l/100 km) - uma melhoria de 7 g/km e 1,6 mpg (cerca de 0,2 l/100 km) face ao Freelander diesel “normal”.
Motor, consumos e emissões do Land Rover Freelander eD4
Este eD4 surge integrado no restyling do Freelander, e por isso recebe o motor 2,2 litros revisto, com 148 bhp (110 kW) e 310 lb ft (420 Nm). Porém, por causa do sistema de paragem e arranque automáticos, só é proposto com caixa manual.
O Freelander com tração integral também pode ser encomendado com um diesel de 188 bhp (140 kW), mas é difícil perceber a vantagem prática: no eD4, força não falta e as ultrapassagens nunca se tornam um problema.
Fora de estrada com tração dianteira: surpreendentemente competente
O curioso é que um Land Rover de tração a duas rodas acaba por fazer sentido, de uma forma estranha. Mesmo deixando de lado os argumentos ambientais - menos emissões de CO2, melhores consumos e menos 75 kg no peso em ordem de marcha - continua a mostrar capacidade suficiente na lama para justificar o emblema.
Fizemos algumas voltas no percurso todo-o-terreno da Land Rover (pensado para 4x4, convém lembrar) e foi inesperado ver que tipo de inclinação o eD4 ainda consegue vencer. É certo que, em algumas subidas onde a versão 4WD passa sem esforço, tivemos de repetir a tentativa, mas o eD4 acabou por chegar lá.
No teste de articulação de eixos, a limitação da tração dianteira notou-se mais: ainda assim, com algum embalo a ajudar, foi desenrascando. E estamos a falar de obstáculos a sério - muitos Freelanders, na vida real, nem chegam a enfrentar mais do que uma poça enlameada.
Em estrada: diferenças subtis face ao 4WD
Fora de estrada à parte, a outra situação em que se percebe uma diferença clara entre as duas versões é quando se atira mesmo o modelo “eco” para dentro de uma curva. Aí, surge um pouco mais de subviragem, com os pneus dianteiros a procurarem aderência e a frente a alargar ligeiramente a trajectória.
Mas, honestamente, é uma diferença marginal. E, afinal, quando foi a última vez que alguém conduziu um Freelander no limite?
Aspecto, equipamento e preço
Visualmente, são praticamente iguais. No interior, a alteração mais óbvia é a ausência do comando do Terrain Response no tablier; por fora, parecem o mesmo carro. Também não há nenhum logótipo grande a dizer “tração a duas rodas” para avisar os outros condutores de que, desta vez, preferia não me sujar, obrigado.
E quanto custa este Freelander mais amigo do ambiente? Começa nas £21,995, ou seja, menos £750 do que a versão de tração integral. Diluir uma marca raramente é boa ideia, mas aqui é difícil encontrar um verdadeiro ponto negativo.
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