Recorde no Nürburgring e estatuto do Renault Megane Trophy
Antes de mais, uma lista de feitos pouco discretos: este Megane Trophy é o Renault de estrada mais rápido de sempre. E, no dia em que o conduzimos, passou a ser também o automóvel de tração dianteira mais veloz a dar a volta ao Nürburgring, com 8:07,97.
Se já está farto da novela interminável dos tempos na “Ring”, vale a pena pôr isto em perspetiva. Um Renault de £27 mil a registar um tempo melhor do que um Viper GTS e um Diablo SV. E até do que um KTM X-Bow.
O que muda face ao Megane 250 Cup (e o que não muda)
O Trophy melhora o anterior recorde de tração dianteira, estabelecido pelo Megane R26.R de traseira levantada, em quase 10 segundos. Só que, ao contrário desse, que recorria a janelas em plástico e a uma gaiola de proteção, aqui há vidros normais e espaço atrás para levar amigos corajosos.
Também não estamos perante um carro depenado de luxos, nem um castigo para as costas. A nível mecânico, comparado com um 250 Cup “normal”, as diferenças resumem-se a mais 15 bhp e mais 15 lb·ft de binário (cerca de 20 Nm) - graças a um turbo com mais pressão - e a um conjunto de pneus mais aderentes.
Desempenho: mais aderência, diferenças subtis em estrada
O resultado é um pouco mais de “agarra e anda”. A velocidade máxima sobe 2 mph, para 158 mph (cerca de 254 km/h), e o 0–62 mph baixa um décimo, ficando cravado nos seis segundos.
O tempo no Nürburgring confirma isso - e deixa claro o que um conjunto realmente bom de pneus consegue fazer. Só que, em estradas reais, seria preciso uma ligação biónica ao carro para notar com convicção a diferença face ao modelo de série, porque o ganho é mais científico do que sensorial.
O ponto importante é que nada ficou estragado. A nova borracha não desperta mais tendência para o volante puxar com o binário, nem torna a suspensão mais seca, nem acrescenta ruído de rolamento.
Preço, equipamento e o plano da RenaultSport
O que existe aqui é um grande carro tornado ligeiramente maior. Custa mais £600 do que o atual RS no topo da gama, mas não é só a prestação que sobe. Esse valor inclui autocolantes Trophy, novas jantes de liga leve - pretas com rebordo vermelho - e uma pintura especial (escolha o Amarelo Líquido: o verniz é mais profundo e mais caro de produzir do que o preto).
Além disso, vem com acesso a todos os dias de pista da RenaultSport, algo que, na prática, custaria mais do que 600 libras se fosse a todos.
Então por que motivo o RS não trazia isto desde o início? Faz parte do plano de negócio. Uma versão verdadeiramente radical, com gaiola, ainda está longe - se é que alguma vez chega -, mas há um modelo de “fase dois” previsto para o próximo ano. Este Trophy serve para manter o interesse até lá.
Circula ainda um rumor, que não foi desmentido pelo responsável da RenaultSport, de que este motor poderá passar a ser o padrão no carro reestilizado. Afinal, esteve em desenvolvimento durante um ano, o que parece demasiado para apenas uma volta rápida e uma série limitada a 500 unidades.
Dica final: pneus Bridgestone RE050A
Dessas 500, só 50 vão para o Reino Unido. Mas, se não está na lista de espera, aqui fica um conselho: esqueça o extra de potência, porque é apenas uma parte da história. Passe numa casa de pneus e peça uns Bridgestone RE050A. Monte-os nas jantes de 19 polegadas de um Megane Cup normal. E veja os seus tempos por volta a cair a pique.
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