À primeira vista podia passar por um Subaru Impreza, mas não é: no Reino Unido, o nome Impreza foi afastado de forma pouco digna. O que antes era o carro de performance conhecido por Impreza chama-se agora apenas Subaru WRX STi e, pela primeira vez naquele mercado, pode ser comprado tanto em versão berlina como em versão de cinco portas, o que significa que passa a ser possível escolher entre um STi de quatro portas e um STi hatch.
Motor e números no papel
Os dados brutos são apelativos. Há um boxer 2,5 litros turbo, a cumprir a norma Euro 5, com 300 bhp (cerca de 304 cv) e 407 Nm, capaz de fazer 0-100 km/h em 5,2 s e de atingir uma velocidade máxima generosa - mesmo tendo em conta a aerodinâmica dos escritórios da TopGear - de 254 km/h. E tudo isto por £32.995.
Chassis, carroçaria e afinações do Subaru WRX STi
A estrutura da carroçaria ficou mais rígida, o que permite mais curso de suspensão e, ainda assim, uma altura ao solo mais baixa. As jantes passaram a pesar menos 2 kg em cada canto, reduzindo a massa não suspensa, e a suspensão, no essencial, segue o muito bem visto acerto Spec C.
Também há trabalho estético: os para-choques são novos e com um ar mais agressivo, e os painéis traseiros foram retocados, pelo que este-que-já-foi-Impreza acaba por ter bom aspeto.
Só que o nosso carro de ensaio perde alguma presença por não trazer a asa traseira opcional.
Tração integral e eletrónica ao serviço do andamento
O sistema de tração integral vem calibrado com uma repartição base de 41/59 (frente/traseira), mas dá para mexer no equilíbrio através dos quatro modos do DCCD (Diferencial Central de Controlo do Condutor). Também é possível definir quando entram as ajudas eletrónicas ajustando o programa de estabilidade VDC do WRX.
E, como se não bastasse, existe ainda outro botão para comandar o SI-Drive (Condução Inteligente Subaru), pensado para tirar o melhor partido dos mapas do motor.
Em estrada: eficaz, fácil… mas sem sensação de velocidade
À partida, parece um pacote completo de peças para andar mais depressa. E, numa daquelas estradas secundárias do Reino Unido - sujas, escorregadias, esburacadas e pouco mais do que uma desculpa para se chamar “estrada” - é um carro muito fácil de conduzir depressa. Dá para travar forte e tarde, apontar a frente à curva e voltar ao acelerador mais cedo do que seria normal; e, desde que o acelerador esteja a “mandar” na transmissão o que ela precisa de fazer, o pior que tende a acontecer é uma dose de subviragem.
A caixa é a Subaru de sempre: manual de seis velocidades, com um tato robusto e algo “maciço”. Os travões têm força, e a suspensão parece mais equilibrada entre frente e traseira do que em qualquer Subaru de que me lembre.
O problema é um só: não transmite sensação de ser rápido. Não parece, de todo, um carro de 300 bhp. Há satisfação quando se acerta tudo, mas não é algo que venha facilmente. Na prática, tal como acontece com muitos modernos de tração integral, este Subaru acaba por ser mais sobre produtividade do que sobre diversão pura.
Com uma transmissão como esta, ou é preciso que a aderência seja baixa para se poder brincar a extrair o melhor do 4x4, ou então é preciso ter um bom bocado mais de potência, para que o desafio passe a ser manter o carro apontado no sentido certo e, ao mesmo tempo, ir tirando o máximo do 4x4. Sem uma coisa nem outra, este Scoob em particular fica apenas… eficaz.
É uma boa compra pelo dinheiro, e com a asa traseira opcional a berlina ganha um ar brutal, mas com bom gosto. Só que o fator X não aparece.
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