A proposta e o calendário do negócio
A companhia aérea britânica de baixo custo easyJet comunicou que alcançou um acordo de princípio com o fundo norte-americano de investimento privado Castlelake, na sequência da receção de uma nova proposta considerada substancial, que avalia a empresa em mais de cinco mil milhões de libras (5,8 mil milhões de euros).
Segundo o conselho de administração da easyJet, a quinta abordagem da Castlelake fixa o preço em 6,90 libras por ação - um montante que "pretendem recomendar" aos acionistas, caso seja apresentada uma oferta firme até 3 de agosto, data-limite definida para a eventual concretização da operação.
Castlelake e easyJet: histórico de propostas e perfil do investidor
A Castlelake, que administra aproximadamente 38 mil milhões de dólares (33 mil milhões de euros) em ativos, com forte exposição ao setor da aviação, já tinha avançado com quatro propostas anteriores, todas recusadas pela easyJet - a transportadora de baixo custo reconhecida pela sua pintura laranja e branca.
Fundada pelo empresário Stelios Haji-Ioannou nos anos 1990, numa fase em que o segmento das companhias aéreas de baixo custo ganhava tração na Europa, a easyJet chegou a classificar a terceira proposta como "altamente oportunista". Essa avaliação surgiu num contexto de descida do preço das ações e agravamento dos prejuízos, associado à guerra no Médio Oriente, que impulsionou os custos do combustível de aviação.
De acordo com o jornal "Financial Times", a Castlelake é um interveniente relevante no aluguer de aeronaves, detendo uma frota de 375 aviões arrendados a companhias aéreas como a Etihad, Qantas, Air India Express, Frontier e Viva. Em 2023, o fundo comprou cerca de 32% da transportadora escandinava SAS, participação que está atualmente em processo de recompra pela Air France-KLM.
Apesar das rejeições iniciais, a easyJet passou a admitir negociações a partir de 25 de junho, tendo concordado em conceder ao fundo norte-americano acesso a informação comercial, com o objetivo de incentivar uma proposta mais atrativa.
Declarações, incerteza sobre a oferta e contexto financeiro
"A Castlelake enfatizou o seu enorme respeito pela easyJet e pelos seus colaboradores, bem como a sua intenção de apoiar o seu crescimento futuro e transformação numa companhia aérea europeia mais forte e resiliente", afirmou a empresa num comunicado divulgado no domingo. "A Castlelake apoia o programa de modernização da frota da easyJet, que considera fundamental para os objetivos de competitividade, eficiência e sustentabilidade a longo prazo da empresa", acrescentou.
Ainda assim, o mesmo comunicado sublinhou que "não há garantia de que seja feita qualquer oferta firme" até ao prazo de 3 de agosto, que foi alargado em relação a domingo.
Em maio, a easyJet reportou que as perdas no primeiro semestre do ano fiscal aumentaram 27%, totalizando 377 milhões de libras (440 milhões de euros), atribuindo o desempenho ao aumento dos preços dos combustíveis e à alteração dos planos de viagem na sequência do conflito entre os EUA e o Irão.
A empresa avisou que o segundo semestre também sentiria impacto, embora o diretor executivo, Kenton Jarvis, tenha referido que a companhia aérea estava "bem posicionada" para atravessar a turbulência.
Entretanto, a concorrente de baixo custo Ryanair apresentou um crescimento de 35% no lucro no seu balanço anual, mas também alertou para dificuldades futuras provocadas pela guerra no Médio Oriente.
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