Goleada da Bélgica e apuramento para os ‘quartos’ do Mundial2026
A Bélgica garantiu presença nos ‘quartos’ do Mundial2026 ao bater os coanfitriões Estados Unidos por 4-1, num encontro dos oitavos de final disputado no Estádio Lumen Field, em Seattle, nos Estados Unidos.
Os belgas construíram o triunfo com dois golos de Charles De Ketelaere, aos nove e 33 minutos, antes de ampliarem na segunda parte através dos suplentes Hans Vanaken (57) e Romelu Lukaku (90+3).
Pelo meio, Malik Tillman ainda restabeleceu a igualdade de forma momentânea, ao marcar de livre direto aos 31 minutos, na sequência de uma falta cometida sobre Folarin Balogun, autor de três dos 11 golos norte-americanos na prova, que também é organizada por México e Canadá.
Rudi Garcia: foco no desempenho, não na polémica de Balogun
No final do jogo, o selecionador belga, o francês Rudi Garcia, assegurou que a eventual presença de Balogun não alterou a abordagem da Bélgica ao encontro.
"Isso nunca mudou a maneira como jogámos. Nada mudou em termos de desempenho e motivação. A nossa principal motivação era chegar aos 'quartos'", sublinhou o treinador, em conferência de imprensa.
O técnico explicou ainda que o grupo estava preparado para qualquer cenário e destacou a maturidade do plantel perante a situação.
"Os meus jogadores estavam informados [dessa possibilidade]. Temos um grupo maduro e líderes presentes, mas focámo-nos em nós. Balogun é um avançado interessante, mas não tive dúvidas de que os nossos centrais seriam capazes de contê-lo bem", analisou, referindo-se a Brandon Mechele e Nathan Ngoy, titulares no centro da defesa belga.
Suspensão suspensa pela FIFA e jogo sob protesto
A partida ficou marcada pela controvérsia em torno de Folarin Balogun, depois de a FIFA ter suspendido, por um período probatório de um ano, o castigo de um jogo que lhe tinha sido aplicado.
O avançado tinha sido expulso com cartão vermelho direto na segunda parte do triunfo frente à Bósnia-Herzegovina (2-0), na eliminatória anterior, mas acabou por poder atuar nos ‘oitavos’. A Bélgica jogou sob protesto, num contexto em que foi referida uma intervenção junto da FIFA do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Horas antes do encontro, o Comité de Apelo da FIFA recusou o protesto apresentado pela Real Associação Belga de Futebol (RBFA) relativamente à suspensão do castigo, decisão que manteve o jogador disponível.
Entretanto, a RBFA informou a Federação de Futebol dos Estados Unidos (USSF) de que irá contestar a elegibilidade do avançado, de 25 anos, lamentando a falta de explicações da FIFA e acusando o organismo de ter criado um recurso artificial.
A decisão, comunicada no domingo, teve por base o artigo 27.º do Código Disciplinar da FIFA, segundo o qual "o órgão competente pode decidir suspender total ou parcialmente a execução de uma medida disciplinar".
Conversa com Balogun e críticas de Pochettino ao clima em redor do caso
Rudi Garcia contou ainda que falou com o avançado norte-americano após o apito final, sublinhando que o jogador não deve ser responsabilizado pela polémica gerada.
O selecionador belga relatou que Balogun "não teve absolutamente nada a ver" com a controvérsia associada ao Comité Disciplinar da FIFA.
"Ele não tem culpa disto tudo nem devemos culpá-lo e eu já lhe disse isso. Apreciei a sua intenção em vir falar comigo e a maneira como se comporta. Por isso, agradeci-lhe", partilhou.
Do lado norte-americano, o selecionador argentino Mauricio Pochettino desvalorizou o impacto do tema na equipa e recusou procurar justificações para a derrota, reconhecendo superioridade belga, embora tenha manifestado incómodo com a forma como o assunto foi tratado.
"Qual é o sentido de ter sido insultado e recebido mensagens negativas e ameaças? Há uma regra que a federação pode aplicar para que o jogador pudesse atuar. A minha função é treinar e, se Balogun estava disponível, porque foi autorizado, não há problema. Senti-me desiludido com muitas pessoas, que falaram de política, manipulação, ética e integridade", disse.
Pedido de Donald Trump, posição de Infantino e reação da UEFA
Donald Trump confirmou ter pedido ao presidente da FIFA, o ítalo-suíço Gianni Infantino, que fosse reavaliado o cartão vermelho mostrado a Balogun, por entender que o avançado não cometeu falta sobre Tarik Muharemovic, cujo calcanhar direito foi pisado numa disputa de bola.
Infantino sustentou a independência dos órgãos judiciais da FIFA e negou qualquer interferência na suspensão dos efeitos do castigo. Já a UEFA acusou a FIFA de ter tomado uma decisão "sem precedentes, incompreensível e injustificável", considerando que foi ultrapassada "uma linha vermelha" nas regras da modalidade.
Próximo jogo: Bélgica defronta Espanha rumo às ‘meias’
Na sexta-feira, em Inglewood, a Bélgica, terceira classificada em 2018, vai disputar com a campeã europeia Espanha, vencedora em 2010, um lugar nas ‘meias’ do Mundial2026. Os espanhóis chegam aos ‘quartos’ depois de eliminarem Portugal (1-0), detentor da Liga das Nações.
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