A equipa das quinas ainda conseguiu manter o duelo ibérico equilibrado antes do intervalo, mas a lesão de Nuno Mendes e o apagão total de CR7 acabaram por abrir caminho à “fiesta” espanhola.
Um sonho travado no Mundial das Américas
O futebol continua a ser um território de exigência máxima e, num Campeonato do Mundo, o estatuto pesa pouco: o tempo cobra a factura e não há complacência para o desgaste inevitável. O projecto de Portugal para conquistar o Mundial das Américas - e, assim, coroar a carreira extraordinária e a última dança, neste palco, de Cristiano Ronaldo - esbarrou numa teimosia do selecionador e numa disponibilidade excessiva do capitão. Aos 41 anos, deveria ter sido o primeiro a perceber que poderia render mais com menos minutos, ou até a partir do banco.
Portugal teve qualidade suficiente para causar incómodo à Espanha, mas, no fim, foram as pernas mais frescas - e não o mediatismo de um único nome - que empurraram La Roja para os quartos de final.
Gestão de minutos: Cristiano Ronaldo e a opção por Gonçalo Ramos
Ao longo dos cinco jogos disputados nas Américas, Cristiano Ronaldo só descansou nos últimos nove minutos diante da Croácia, nos 16 avos de final. De resto, permaneceu como presença fixa no centro do ataque, com consequências claras: menos capacidade para pressionar alto e uma equipa a baixar demasiado sempre que tinha bola.
Em sentido inverso, torna-se difícil apontar um motivo - válido - para a utilização tão reduzida de Gonçalo Ramos, de 25 anos: foi opção durante 35 minutos e, ontem, em Houston, nem sequer saiu do banco por decisão de Roberto Martínez, poucos dias depois de ter sido decisivo frente aos croatas.
Momentos-chave do jogo: antes do intervalo
No eterno jogo dos “ses”, fica a dúvida sobre o que esta geração poderia ter alcançado com outra gestão do selecionador - uma em que a equipa se sobrepusesse, sempre, ao somatório de egos. A realidade do jogo, porém, mostrou uma Espanha mais ameaçadora na maior parte do tempo.
Quando Diogo Costa se esticou por duas vezes seguidas para negar os remates de Lamine Yamal e de Álex Baena, Oyarzabal já tinha desperdiçado uma ocasião de ouro cara a cara com o guarda-redes português. Perto do intervalo, João Félix esteve a um passo de acertar de cabeça, e Ronaldo não teve a agilidade de outros tempos para a recarga; do outro lado, Nuno Mendes atirou à barra.
Lesão de Nuno Mendes e decisão aos 90+1
A segunda parte começou com a lesão do defesa esquerdo e rapidamente se percebeu que esse seria um dos instantes determinantes da noite. A partir daí, a Espanha deixou de ser verdadeiramente questionada, manteve a pressão e, aos 90+1, os suplentes Ferran Torres e Merino aproveitaram o espaço nas costas da defesa portuguesa para resolver - e, desta vez, nem o habitual milagreiro Diogo Costa conseguiu travar o golpe final.
Portugal ainda tentou contrariar o destino, mas os cabeceamentos de Bernardo Silva e de João Neves - na sequência do cruzamento de Chico Conceição e do livre de Bruno Fernandes - não produziram o milagre. O regresso das quinas a casa faz-se, assim, sem glória mundial.
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