Comité Nacional para a Administração de Gaza declara-se disponível
O comité tecnocrático palestiniano criado pelo Conselho de Paz instituído pelo presidente norte-americano afirmou, esta segunda-feira, estar em condições de passar a gerir a Faixa de Gaza, na sequência do anúncio de dissolução do governo do Hamas.
"Afirmamos que o Comité Nacional para a Administração de Gaza está plenamente preparado para assumir as suas responsabilidades nacionais assim que estejam reunidos os recursos e as capacidades necessários", escreveu na rede social X o presidente do organismo, Ali Shaath.
Dissolução do governo do Hamas e transferência de competências
A extinção do órgão de 15 membros que, sob a autoridade do Hamas, administrava a Faixa de Gaza há cerca de duas décadas abre a possibilidade de as funções administrativas no território transitarem para o Comité Nacional para a Administração de Gaza - estrutura que, apesar de já existir, permaneceu durante meses inactiva e fora de Gaza.
Durante a manhã, o grupo islamita confirmou a medida, deixando assim o caminho aberto para que o território passe a ser gerido por um comité tecnocrático já constituído, cuja missão é assegurar a representação palestiniana nas instituições de Gaza.
Viragem política do Hamas e reacções no Cairo
Esta iniciativa do Hamas é descrita como uma mudança política relevante no seio do movimento islamita, que tomou o poder na Faixa de Gaza em 2007, após confrontos com o Fatah - o partido do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas - sediado em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.
"Os movimentos [palestinianos reunidos no Cairo] saudaram a decisão do Hamas, considerando-a um passo importante que permite ao Comité Nacional assumir o seu papel na governação", disse outro representante do Hamas.
Guerra, cenários discutidos e impasse do desarmamento
Alguns meses depois do início da guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada pelo ataque em solo israelita de 07 de outubro de 2023, o movimento islamita declarou-se disponível para entregar o poder na Faixa de Gaza a outra liderança palestiniana.
Desde então, foram colocados em cima da mesa vários cenários, mas, na prática, o processo ficou bloqueado.
Um dos principais pontos de fricção continua a ser o desarmamento do Hamas, que sustenta que só o fará no quadro de uma iniciativa política palestiniana, posição que Israel rejeita.
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