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Plasan na Eurosatory 2026: LAPS, TAPS e ATHENA em detalhe

Veículo militar blindado bege com um drone a voar e duas pessoas, uma em uniforme e outra com colete refletor.

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No seguimento da feira internacional Eurosatory 2026, a empresa israelita Plasan marcou presença com novas soluções orientadas para modernizar os sistemas de protecção utilizados em diferentes tipos de plataformas militares, que a própria descreve como uma “revolução” na forma como foram concebidos. A Zona Militar teve oportunidade de entrevistar o Dr. Natav Yatom, responsável de I&D da empresa, para conhecer de perto a evolução e as características destas iniciativas.

LAPS, solução para reforçar a protecção contra minas terrestres

A primeira novidade que a Plasan e a Zona Militar destacaram na Eurosatory 2026 foi o Leg Active Protection System (LAPS, na sigla em inglês), um sistema pensado para ajudar a mitigar dois dos principais problemas decorrentes do impacto de um veículo com uma mina terrestre ou com um engenho explosivo improvisado.

Actualmente, a protecção mais difundida para este tipo de ameaça assenta, em grande medida, numa abordagem que privilegia a integração de várias camadas de soluções passivas - como o desenho do fundo em “V” e os bancos com capacidade de absorver a energia gerada pela explosão, entre outras.

Sobre este ponto, o Dr. Yatom explicou à ZM que a Plasan identificou duas fragilidades nesse modelo. A primeira - e a mais importante - prende-se com os numerosos casos em que a explosão provocada por uma mina não chega necessariamente a neutralizar o veículo, mas deixa os militares gravemente feridos e incapazes de continuar o combate devido ao impacto nas pernas. Em segundo lugar, referiu que a acumulação de soluções passivas aumenta de forma significativa o peso e as dimensões do veículo (sobretudo a altura), com efeitos negativos na avaliação da mobilidade e no consumo de combustível.

Perante este cenário, o LAPS recorre a um novo sistema que permite elevar a posição do militar para que, no momento da explosão, as pernas não estejam em contacto com o piso - e isto sem exigir grandes alterações no veículo onde é instalado. Em termos práticos, trata-se de bancos equipados com um conjunto de sensores concebidos para enviar rapidamente um sinal a uma unidade electrónica que, quando aplicável, confirma a explosão e acciona um actuador que eleva o ocupante, de modo a que o impacto e a deformação do piso não comprometam a sua integridade.

De acordo com o Dr. Yatom, o modelo já foi testado em quatro plataformas diferentes, confirmando-se que o sistema funcionou correctamente e resistiu a explosões geradas por até 10 quilogramas de TNT, cumprindo assim os mais exigentes padrões de segurança.

TAPS, a nova barreira contra ataques de drones e fogo indirecto

Na Eurosatory 2026, a Plasan também deu relevo ao Top Attack Protection System (TAPS), um sistema já testado com sucesso por diferentes forças armadas ocidentais e que se encontra actualmente em produção, com o objectivo de alargar a protecção em várias frotas de viaturas. De forma geral, o TAPS assemelha-se a uma “alfombra com espinhos” feita de material semi-rígido, recortada conforme as necessidades do utilizador e instalada por cima do blindado existente no tecto de cada plataforma.

Nas palavras do Dr. Yatom, é uma solução concebida para responder aos “…rápidos mudanças observadas no campo de batalha, onde se nota um maior uso de drones com capacidade de ataque preciso, bem como de munições de fragmentação (…) as quais, depois de dispersarem a sua carga interna, são extremamente difíceis de neutralizar…”. Em suma: “…Testámo-lo em condições de frio e calor extremos e validámos a sua resistência ao fogo. O seu funcionamento está totalmente comprovado….”

Além disso, a Plasan considera que o TAPS se distingue por ter um peso muito inferior quando comparado com a alternativa de adicionar novas camadas de blindagem tradicional no tecto de cada viatura - especialmente tendo em conta que, nos desenhos actuais, essa é por si só a zona com menor espessura. Em particular, a empresa israelita afirmou nos seus canais oficiais que este valor se situa em torno de 17 kg/m², reforçando o ponto anterior.

ATHENA, uma nova blindagem exterior

Por fim, a Plasan apresentou o Advanced THickening ENergetic Armour (ATHENA), um novo tipo de blindagem modular que se integra de forma semelhante às placas ERA e NERA actualmente usadas em veículos blindados, embora se diferencie por não recorrer a qualquer material explosivo. Segundo a empresa, trata-se de uma combinação de blindagem compósita com camadas intermédias expansivas, que são activadas rapidamente pelo impacto de um projéctil para absorver a sua energia, seja munição de carga oca, seja munição penetrante.

A lógica por detrás deste conceito foi descrita pelo Dr. Yatom nos seguintes termos: “Os sistemas ERA e NERA têm uma fraqueza importante: são explosivos. Isso implica custos elevados associados à manutenção e ao transporte e, quando detonam, geram danos colaterais que podem afectar tanto o veículo como os soldados que possam estar operacionais perto dele (…) A nossa solução é totalmente passiva.” Acrescentando ainda: “Ao contrário do ERA, o nosso sistema também tem um elevado grau de eficiência contra a energia cinética dos projécteis”.

Além disso, a empresa israelita confirmou que cada módulo é desenvolvido de acordo com os requisitos do cliente, em função da superfície do veículo a proteger e das ameaças que, potencialmente, poderá enfrentar. Graças a esta abordagem, a espessura dos módulos ATHENA pode variar entre 100 e 300 milímetros, conforme a configuração pretendida, enquanto a densidade oscila entre 200 e 300 kg/m². Estas características levaram dois países a realizar testes no continente europeu para validar as capacidades do sistema, algo que a Plasan espera ver convertido em futuros acordos comerciais a curto prazo.

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