Há alguns meses viajámos até Turim, em Itália, para conhecer de perto o Jeep Wrangler 4xe. Desta vez, chegou o momento de o testar em solo nacional - e logo num local muito especial: a Quinta do Conde.
Para muitos, este é um verdadeiro “paraíso” do todo o terreno, e foi precisamente ali que o modelo icónico da Jeep teve de demonstrar que, mesmo sendo agora um híbrido plug-in, continua à altura dos maus caminhos.
Tudo ficou registado em vídeo, incluindo os percalços que apareceram durante as filmagens e que acabaram com o carro de produção (um Land Rover Freelander) e até o Jeep Wrangler 4xe «atascados».
Qualquer frequentador habitual da Quinta do Conde vos dirá que aquele terreno está cheio de armadilhas - e nós acabámos «apanhados» por uma delas. Ainda assim, a maior «fatia» da responsabilidade nem foi do Wrangler. Continuo a acreditar que, se tivesse sido a versão Rubicon - com pneus cardados - o resultado provavelmente teria sido diferente.
O mais capaz fora de estrada?
Deixando os azares de lado, o Wrangler 4xe esteve à altura do desafio e, no final, fiquei com a convicção de que este é o modelo mais competente fora de estrada que a marca norte-americana alguma vez vendeu na Europa.
A explicação é simples. Com o impulso da potência elétrica garantido pelo segundo motor elétrico (o único com funções de tração), há sempre muito binário disponível desde o instante em que carregamos no acelerador.
Nos Wrangler com motorizações convencionais, era comum termos de carregar mais no acelerador para chegar ao binário necessário para vencer certos obstáculos. Agora, esse progresso faz-se de forma muito mais suave e gradual.
Potência para «dar e vender»
Em estrada, o peso extra do sistema elétrico e da bateria de 17,3 kWh nota-se, e a carroçaria não demora a «queixar-se». Já em percursos fora de estrada, essa massa adicional quase passa despercebida - e a razão está na força e na potência disponíveis, prontas a responder sempre que as pedimos.
No total, estão disponíveis 380 cv de potência máxima combinada e 637 Nm de binário, resultado do «casamento» entre um motor 2,0 l turbo a gasolina e dois motores elétricos.
Com esta base mecânica, gerida por uma caixa automática de oito velocidades e enviada às quatro rodas, o Wrangler 4xe é capaz de atingir 156 km/h e cumprir os 0 aos 100 km/h em rápidos 6,4s.
Mas os consumos…
O aumento de peso reflete-se nos consumos, sobretudo quando a bateria se esgota. Alternando entre o modo Híbrido e o E-Save, foi possível obter consumos médios abaixo de 4,0 l/100 km; porém, sem a ajuda do sistema elétrico, o melhor que alcançámos foi uma média de 11 l/100 km em autoestrada.
Quando o objetivo é explorar a sério as capacidades todo o terreno deste modelo, acreditem: torna-se relativamente fácil chegar (e até ultrapassar) a fasquia dos 15 l/100 km.
E o preço?
A partir de agora, esta passa a ser a única motorização disponível na Europa para o Jeep Wrangler, que também fica restrito à configuração de cinco portas.
Em Portugal, o preço começa nos 69 375 euros para a versão de entrada, a Sahara. No entanto, a unidade testada no vídeo era a 80th Anniversary - que assinala os 80 anos da Jeep - e estava avaliada em 82 504 euros.
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