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S.O.S Escola Pública acusa ministro da Educação Fernando Alexandre de mentir sobre entrega de exames nacionais

Mulher preocupada com cabeça entre as mãos sentada à mesa com computador portátil e documentos.

O movimento de professores S.O.S Escola Pública denunciou que os docentes avaliadores continuam sem receber exames nacionais para corrigir, apontando ao ministro da Educação que não disse a verdade ao garantir que faltavam apenas "duas ou três provas" por distribuir.

"Uma vez mais, o Sr. Ministro Fernando Alexandre mentiu: alegou que 'há duas ou três provas' por entregar. A mentira, ao longo dos anos, tem sempre um rosto e é o rosto da infâmia", criticou o movimento de professores da escola pública, que considerou ainda "cómico e surreal" o prazo de 14 de julho para concluir a classificação dos exames.

De acordo com o S.O.S Escola Pública, continuam a chegar a este movimento de professores "centenas de denúncias" de dificuldades na receção e acesso aos exames.

S.O.S Escola Pública e as falhas na correção digital dos exames nacionais

"Aquilo que se lhes pede, neste momento, é que vendam a cêntimos o seu tempo pessoal e profissional, em ansiedade constante, por provas que insistem em não chegar, desaparecer, não conseguir classificar, sabendo que há um prazo ao virar da esquina e se arriscam a não conseguir cumprir, mas que nunca deles dependeram", lê-se no comunicado.

O movimento lembra que, no ano letivo passado, os professores já tinham deixado avisos sobre problemas identificados no projeto-piloto de correção digital, alertas que, segundo dizem, foram "completamente ignorados".

"O Ministério da Educação, por teimosia, em virtude da vontade que tem de provar trabalho e de fazer reformas, atropelou alunos, famílias e, não menos importante, professores. São estes últimos os únicos que têm mantido o sistema a funcionar, mesmo quando são desprezados, humilhados por uma tutela sem discernimento e sem noção da realidade", criticam em comunicado.

Na descrição apresentada pelo movimento, persistem dificuldades de entrada na plataforma, faltam provas para classificar e, quando estas surgem, podem trazer problemas como folhas cortadas, trocadas ou com digitalizações deficientes, prejudicando a leitura das respostas.

Horas de trabalho e pedidos aos avaliadores

Ao mesmo tempo que apontam para jornadas prolongadas para cumprir os prazos - incluindo trabalho ao fim de semana - "para assegurar que os alunos não sairão prejudicados, defendendo a palavra honrada da tutela", os professores pedem aos avaliadores que registem e comuniquem as horas extraordinárias, com o objetivo de "contrariar as inverdades da tutela, sempre pronta a exibir o seu bom desempenho, vestindo-se com o trabalho dos seus excelentes professores".

Perante as dificuldades informáticas associadas à correção dos exames nacionais, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, adiou a data de divulgação dos resultados das provas e, por consequência, procedeu a alterações no calendário da segunda fase dos exames nacionais.

Novo calendário

Os professores passam a dispor de prazo até 14 de julho para classificar as provas (antes era até dia 10), e os resultados serão afixados a 17 de julho, em vez de 14 de julho.

O novo calendário estabelece também que a segunda fase dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário - que estava prevista para começar a 16 de julho - se inicia apenas na tarde de 20 de julho e termina a 24 de julho, em vez de 22 de julho.

"Esta alteração é minimalista", defendeu o ministro, reconhecendo o impacto que poderá vir a ter em alunos, famílias e professores, embora sem afastar a hipótese de novas mudanças.

Pela primeira vez este ano, as mais de 300 mil provas realizadas pelos alunos do 11.º e 12.º anos foram todas digitalizadas e só depois distribuídas pelos professores para serem avaliadas.

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