A 113.ª Volta a França começa hoje, em Barcelona, e apresenta desde logo um cenário claro: há um favorito destacado e uma meta histórica ao alcance. Depois de ter vencido em 2020, 2021, 2024 e 2025, Tadej Pogacar (UAE Emirates) entra em prova com a ambição de somar o quinto Tour da carreira, feito que lhe permitiria igualar Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Indurain - os únicos a conquistarem cinco vezes a corrida mais emblemática do calendário.
Tadej Pogacar e a corrida ao quinto Tour
O ano competitivo do esloveno dificilmente deixa espaço para dúvidas sobre o seu estatuto. Ganhou praticamente tudo o que alinhou, reforçou o palmarés com clássicas e provas por etapas e chega à grande volta mais mediática do mundo apoiado por uma estrutura muito sólida. Entre os nomes do seu bloco sobressai o mexicano Isaac del Toro, apontado como um dos gregários mais valiosos do pelotão.
Jonas Vingegaard e os restantes candidatos à geral
Do outro lado, Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) mantém-se como o adversário mais directo, depois de ter triunfado em 2022 e 2023. Ainda assim, o dinamarquês pode sentir o peso do desgaste por ter vencido o Giro e, sobretudo, a falta do lesionado Wout van Aert, ausência que diminui de forma assinalável a força colectiva da equipa neerlandesa. Para tentar equilibrar a luta face ao campeão em título, contará com o suporte de Sepp Kuss e Matteo Jorgenson.
Para além do duelo esperado entre os dois principais nomes, há vários corredores com margem para se intrometerem nas decisões. O foco incide particularmente em Paul Seixas (Decathlon AG2R La Mondiale), francês de 19 anos, visto como um talento com futuro promissor. A par do jovem, Remco Evenepoel e Florian Lipowitz, ambos da Red Bull-BORA-hansgrohe, Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) e Juan Ayuso (Lidl-Trek) surgem igualmente como candidatos a marcar presença nas fases decisivas.
Percurso com montanha reforçada e apenas um português no pelotão
O trajecto totaliza 3 321,2 quilómetros, volta a incluir um contrarrelógio por equipas logo na etapa de abertura e contempla cinco chegadas em alto. Em termos de luta pela geral, o cenário mais determinante deverá surgir nos Alpes, com duas metas consecutivas no mítico Alpe d’Huez e uma derradeira etapa de montanha que passa por Croix de Fer, Galibier e Sarenne antes da subida final. Pelo caminho, o Tourmalet, o Plateau de Solaison e um contrarrelógio individual de 26,1 quilómetros prometem também criar diferenças com impacto.
Do lado português, a presença no pelotão volta a resumir-se a um único nome. Nelson Oliveira (Movistar), aos 37 anos, vai cumprir a 10.ª Volta a França e está em posição de se tornar o recordista absoluto de grandes Voltas concluídas sem desistências. Depois de ter igualado, no Giro, as 23 do polaco Sylwester Szmyd, o corredor de Anadia pode isolar-se no topo se chegar a Paris, mantendo-se como gregário de luxo na formação espanhola.
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