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Moçambique recebe este sábado mais 65 repatriados da África do Sul após ataques xenófobos

Pessoas em fila para entrar num autocarro, com voluntários a ajudar e caixas de ajuda humanitária visíveis.

Moçambique vai receber este sábado mais 65 cidadãos nacionais repatriados da vizinha África do Sul, na sequência de ataques xenófobos. O Governo diz ter ainda registo de mais 48 pessoas que, junto das representações diplomáticas, manifestaram vontade de regressar ao país.

Repatriamento de moçambicanos a partir da África do Sul

De acordo com um comunicado do Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo), divulgado hoje, está prevista para a tarde a chegada de mais 65 moçambicanos, entre os quais 14 oriundos de Witbank, na província de Mpumalanga, "no quadro das ações de apoio e repatriamento em curso".

Acolhimento em Pretória e apoio consular de Moçambique

O Gabinfo refere que os cidadãos continuam a ser acolhidos no Alto Comissariado de Moçambique em Pretória, incluindo pessoas vindas de Joanesburgo, Pretória, Gauteng e de outras localidades. "Prossegue o processo de assistência e repatriamento de cidadãos moçambicanos afetados pelos atos de intimidação e violência contra imigrantes em várias províncias da República da África do Sul", indica.

Ainda segundo o mesmo órgão, "Na província do Cabo Ocidental, as autoridades locais notificaram a missão consular de Moçambique na cidade do Cabo sobre a presença de 48 cidadãos moçambicanos, incluindo quatro crianças, que manifestaram intenção de regressar ao país".

Em Gauteng, a cidadã moçambicana que deu à luz nas instalações do Alto Comissariado, na quarta-feira, já teve alta e encontra-se, com o bebé, "em boas condições de saúde". As autoridades acompanham o caso e estão a prestar a assistência necessária à mãe e ao recém-nascido.

Situações de vulnerabilidade entre cidadãos moçambicanos

O Gabinfo acrescenta que "Continuam, igualmente, a ser registadas situações de vulnerabilidade envolvendo cidadãos moçambicanos que perderam abrigo ou foram retirados dos seus locais de trabalho, em consequência do agravamento das ações de perseguição e das operações de controlo migratório".

Face aos episódios de violência contra estrangeiros, o Governo moçambicano reforçou a assistência consular e as operações de repatriamento dos cidadãos afetados, mantendo o acompanhamento da situação através das representações diplomáticas e consulares na África do Sul.

Movimento anti-imigração no país vizinho

Na África do Sul, manifestantes anti-imigração lançaram um ultimato, com prazo até terça-feira, 30 de junho, para que todos os estrangeiros abandonem o país. Nos últimos dias, o Governo sul-africano anunciou também restrições às políticas migratórias e o reforço da segurança.

Na quarta-feira, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, reconheceu o agravamento da xenofobia na África do Sul, após incidentes violentos que envolveram cidadãos moçambicanos, garantindo existirem condições logísticas para repatriar e acolher as vítimas.

Nessa mesma data, o Governo de Moçambique avançou que pelo menos 283 moçambicanos foram agredidos, viram as suas casas incendiadas e tiveram bens vandalizados na última vaga de ataques xenófobos, estando a ser envidados esforços para assegurar assistência e repatriamento. No dia seguinte, o Presidente moçambicano declarou que 38 cidadãos moçambicanos com residência legal na África do Sul foram agredidos e expulsos das suas casas em ataques xenófobos.

Moçambique tem cerca de 300 mil cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram ao país devido à violência.

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