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Ar condicionado tira potência ao carro? Entenda o que acontece

Carro elétrico azul futurista em exposição, ligado a posto de carregamento em ambiente moderno.

É um dos lugares-comuns mais repetidos no universo automóvel e, desta vez, há um motivo técnico por detrás. Ligar o ar condicionado pode mesmo diminuir a potência disponível, embora esse efeito esteja longe de ser idêntico em todos os carros.

O resultado depende sobretudo da forma como o compressor da climatização é acionado. Nos veículos com motor de combustão, o compressor consome diretamente parte da energia gerada pelo motor. Já em híbridos e elétricos, a abordagem é distinta e as consequências sentem-se principalmente no consumo e na autonomia.

Porque é que o ar condicionado pode retirar potência?

Nos automóveis exclusivamente a combustão, é o próprio motor que fornece a energia necessária para fazer trabalhar o compressor. Na prática, uma fração da potência que poderia ser usada para impulsionar o carro é desviada para manter o sistema de climatização a funcionar.

Este impacto nota-se sobretudo quando é preciso arrefecer, já que é nessa fase que o compressor entra efetivamente em ação. Para aquecer o habitáculo, na maioria das situações, o sistema aproveita o calor residual produzido pelo motor, o que reduz a necessidade de esforço energético adicional.

Ainda assim, nos automóveis atuais - em especial nos mais potentes - esta perda tende a passar despercebida. O condutor sente-a com maior probabilidade em modelos com menos potência, onde as acelerações podem ficar ligeiramente menos vivas e pode ser necessário recorrer mais vezes à caixa de velocidades.

O que muda nos híbridos e elétricos?

Em híbridos e em veículos 100% elétricos, o compressor do ar condicionado é, regra geral, elétrico. Nos híbridos, deixa de estar ligado de forma direta ao motor de combustão; nos elétricos, como esse motor não existe, a energia vem da bateria de alta tensão.

Assim, o compressor não “rouba” potência ao motor por via mecânica. Por isso, o efeito nas prestações deverá ser praticamente impercetível. Em contrapartida, a climatização aumenta o consumo de energia e reduz a autonomia disponível.

Nos elétricos e nos híbridos plug-in, esta lógica aplica-se tanto quando se arrefece como quando se aquece o interior. No aquecimento, o gasto energético varia conforme a solução técnica: os modelos com bomba de calor são, em geral, mais eficientes do que os que dependem apenas de resistências elétricas.

A temperatura no exterior também pesa no resultado. Quanto maior for a diferença entre a temperatura dentro do automóvel e a que foi definida no painel, maior será o esforço pedido ao sistema e, consequentemente, mais energia será consumida.

Vale a pena desligar o ar condicionado?

A resposta varia com o tipo de automóvel, mas, na maior parte dos casos, os ganhos são limitados. Em carros modernos com motor de combustão, a quebra de desempenho é tão pequena que dificilmente se vai notar na condução diária.

Nos híbridos e nos elétricos, desligar o ar condicionado também não traz melhorias relevantes nas prestações. O benefício principal é baixar o consumo, o que pode traduzir-se em mais alguns quilómetros de autonomia.

Ainda assim, circular com os vidros abertos aumenta a resistência aerodinâmica, sobretudo a velocidades mais elevadas. Por isso, em autoestrada, desligar o ar condicionado e abrir os vidros nem sempre é a opção mais eficiente.

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