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Advogado denuncia maus-tratos a Hussam Abu Safiya, detido há 18 meses por Israel

Homem de barba cinzenta sentado à secretária a ler documentos num escritório com luz natural.

O advogado do médico palestiniano Hussam Abu Safiya, detido pelas forças israelitas há 18 meses, denunciou este domingo que o seu cliente tem sido alvo de maus-tratos durante o período de cativeiro e que se encontra em estado crítico.

Hussam Abu Safiya e o Hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza

Hussam Abu Safiya, então diretor do Hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza, passou a simbolizar os profissionais de saúde que tentavam manter cuidados médicos em funcionamento durante a guerra entre Israel e o Hamas. O médico liderou a unidade hospitalar enquanto decorria um cerco de 85 dias imposto pelas Forças Armadas israelitas, período em que divulgou vídeos a pedir ajuda, antes de ser detido em dezembro de 2024. Até ao momento, não foi formalmente acusado.

As Forças Armadas israelitas indicaram que Abu Safiya, de 53 anos, estava a ser investigado por suspeitas de colaboração com o Hamas ou de atuar ao serviço desta organização. Pessoas que trabalharam com o médico, bem como organizações de ajuda internacional, rejeitam essas acusações.

Estado de saúde de Hussam Abu Safiya e queixas de maus-tratos

A organização Médicos pelos Direitos Humanos de Israel e o advogado Nasser Odeh relataram que, numa visita realizada em 2 de julho, Abu Safiya aparentava extrema debilidade e mostrava dificuldades em manter-se sentado com o tronco direito. Odeh afirmou ainda que o detido apresentava lesões recentes na cabeça, à volta dos olhos, nas orelhas e no pescoço, além de sinais de dificuldade respiratória.

O advogado e a organização não governamental disseram ter submetido um pedido para que Abu Safiya seja transferido para outra instalação.

Após uma audiência no Supremo Tribunal de Israel, em junho, na qual contestou a manutenção prolongada da detenção sem acusação, Odeh declarou que Abu Safiya terá sido sujeito a abusos físicos e psicológicos e que permaneceu em isolamento por longos períodos. Durante essa audiência, o médico surgiu por instantes num vídeo, com aspeto pálido e abatido e com marcas que pareciam chicotadas em ambos os braços.

Resposta das autoridades israelitas e contexto mais amplo

O Serviço Prisional de Israel classificou as alegações como "falsas e totalmente desprovidas de fundamento factual". A instituição recusou abordar o caso de forma direta, referindo razões de privacidade, mas afirmou que todos os prisioneiros e detidos são mantidos de acordo com a lei e que recebem cuidados de saúde com base nas orientações do Ministério da Saúde. "O Serviço Prisional de Israel rejeita as alegações de maus-tratos, tortura, privação de alimentos ou recusa de tratamento médico", afirmou.

Em outubro de 2025, as autoridades israelitas prolongaram por mais seis meses a detenção do médico. "A decisão foi tomada apesar de o nome do meu pai ter sido anteriormente incluído nas listas de libertação em troca de reféns, o que redobra a ansiedade e a perplexidade entre a sua família e todos aqueles que defendem a sua causa humanitária", denunciou então um dos seus filhos, Idris, num comunicado divulgado na rede social Instagram.

Desde o início da guerra com o Hamas, em outubro de 2023, Israel tem sido alvo de críticas duras relativamente ao tratamento dispensado a prisioneiros e detidos palestinianos. Organizações de direitos humanos e as Nações Unidas têm denunciado padrões sistemáticos de abuso.

O total de palestinianos detidos por Israel aumentou de forma acentuada após o começo do conflito, e milhares permanecem sob detenção. A Associated Press já tinha noticiado anteriormente condições descritas como desastrosas no sistema prisional.

A guerra entre Israel e o Hamas teve início a 7 de outubro de 2023, quando o grupo militante baseado em Gaza lançou um ataque ao sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e fazendo 251 reféns. Desde então, de acordo com o Ministério da Saúde do território, a ofensiva israelita em Gaza causou a morte de mais de 73 mil palestinianos.

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