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Papa Leão XIV homenageia migrantes mortos no Mediterrâneo Central em Lampedusa

Papa em oração junto ao monumento Porta da Europa, com coletes salva-vidas e sapatos na pedra à beira-mar.

O Papa Leão XIV prestou homenagem, este sábado, aos migrantes que perderam a vida na rota do Mediterrâneo Central, durante uma deslocação à ilha italiana de Lampedusa, evocando igualmente o legado do seu antecessor, Francisco, na resposta à crise humanitária.

Localizada no sul de Itália, no Mediterrâneo Central, Lampedusa tem sido, há vários anos, um dos principais pontos de chegada de milhares de pessoas que tentam entrar na Europa a partir da costa do Norte de África.

Visita do Papa Leão XIV a Lampedusa

Treze anos após a visita do Papa Francisco, Leão XIV cumpriu uma agenda de quatro horas na ilha, que começou com uma ida ao cemitério local. Aí, colocou uma coroa de flores nas sepulturas de vários migrantes, muitos dos quais continuam sem identificação.

Depois de aterrar, às 9 horas locais (8 horas em Portugal continental), no aeroporto de Lampedusa, vindo de Roma, o Papa seguiu de automóvel directamente para o cemitério.

Cemitério local e homenagem aos migrantes

No cemitério, Leão XIV parou junto à sepultura de Yusuf, um bebé guineense de seis meses que morreu em 2020 a bordo do navio da organização não-governamental espanhola Open Arms, enquanto aguardava uma evacuação médica de emergência, que só chegou seis horas depois de ter sido pedida.

Porta da Europa

Em seguida, o Papa deslocou-se ao monumento Porta da Europa, do escultor italiano Mimmo Paladino, que representa o desembarque e a esperança de quem foge da guerra e da miséria. No local, encontrou-se por breves momentos com uma família migrante, para escutar o seu testemunho de integração.

Depois, Leão XIV atravessou, sozinho, a escultura e desceu a pé até uma zona rochosa, aproximando-se o mais possível do mar. Enquanto observava o Mediterrâneo do alto das rochas, uma forte rajada de vento levou-lhe o solidéu branco.

Homenagem ao Papa Francisco no Cais Favaloro

A visita continuou no Cais Favaloro, onde Leão XIV benzeu uma placa que, a partir de hoje, passa a atribuir oficialmente ao cais o nome do Papa Francisco, como reconhecimento da ligação duradoura que o anterior pontífice criou com esta comunidade.

Na saudação às autoridades locais, o Papa afirmou que esta homenagem "é sinal do vínculo" que o seu antecessor estabeleceu com a comunidade local "e com os irmãos e irmãs migrantes".

"E o Papa [Francisco] esteve próximo de vós neste período tão exigente. Hoje estou aqui para vos dizer que o Papa continua a acompanhar-nos, apoia-vos e encoraja-vos", acrescentou.

Dados recentes sobre chegadas e mortes no Mediterrâneo

Apesar de as chegadas às costas italianas terem diminuído nos últimos anos, as mortes no Mediterrâneo mantêm-se. Quase 2800 migrantes desembarcaram em Itália em junho, menos 10% do que no mês anterior.

Desde o início do ano, chegaram ao país 14.388 pessoas, menos 30% do que no mesmo período de 2025. Destas, 56% desembarcaram em Lampedusa, segundo dados da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Ainda assim, 1397 pessoas morreram ou desapareceram no Mediterrâneo durante o primeiro semestre de 2026, face às 851 registadas no mesmo período do ano anterior.

Missa na ilha

O Papa preside ainda a uma missa na ilha, com a imagem de Nossa Senhora de Porto Salvo no altar, último acto da visita antes do regresso ao Vaticano.

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