A inteligência artificial e a nova economia
A inteligência artificial está a transformar a economia global a uma velocidade notável. Nos próximos anos, um grande número de tarefas passará a ser automatizado e a tecnologia deixará de estar reservada a alguns, tornando-se acessível a praticamente todos.
Perante este cenário, coloco uma questão decisiva: quando a tecnologia estiver disponível em qualquer ponto, o que será, de facto, o verdadeiro diferenciador?
Não me parece que a resposta se esgote nos algoritmos ou no poder de computação. O recurso mais raro será aquilo que nenhuma máquina conseguirá gerar: qualidade de vida, património, cultura, identidade, segurança e comunidade.
Portugal e Europa: qualidade de vida como vantagem
É precisamente aqui que a Europa - e Portugal em particular - tem uma oportunidade que não podemos deixar escapar. Somos um país seguro, com um património histórico e natural excecional, cidades à escala humana e uma qualidade de vida reconhecida além-fronteiras. Num Mundo em que o trabalho dependerá cada vez menos do lugar onde é realizado, as pessoas tenderão a escolher viver onde encontrem melhores condições para si e para as suas famílias. No entanto, esta oportunidade não acontece por si só: exige visão e investimento.
Municípios, Estado e política europeia de coesão
Os municípios são os principais motores da transformação do território. São as autarquias que reabilitam centros urbanos, melhoram escolas, protegem e valorizam o património, apoiam a cultura e o desporto e criam condições para atrair empresas e talento, ao mesmo tempo que promovem a fixação de população. Na nova economia, esta responsabilidade torna-se ainda mais estratégica.
Em paralelo, o Estado tem de acompanhar esta mudança, garantindo uma Administração Pública mais simples, mais ágil e mais eficiente. A simplificação administrativa e a diminuição da burocracia são essenciais para que os municípios consigam concretizar investimentos com maior rapidez - um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo atual Governo.
Será igualmente determinante salvaguardar uma política europeia de coesão robusta. Os fundos de coesão permitem aos municípios investir e inovar, reduzir desigualdades e melhorar a qualidade de vida. Enfraquecer esta política colocaria em risco o desenvolvimento dos territórios e a competitividade da própria Europa. Acredito que o futuro dependerá tanto da tecnologia como da nossa capacidade de construir territórios onde as pessoas queiram viver - uma missão que começa todos os dias, nos nossos municípios.
Reconhecimento a quem está na linha da frente
Por fim, num momento em que Portugal atravessa dias difíceis, deixo uma palavra de reconhecimento aos bombeiros, agentes de proteção civil, forças de segurança, militares, profissionais de saúde, colegas autarcas, funcionários municipais e voluntários que estão na linha da frente no combate aos incêndios. A vossa coragem é um exemplo para todos nós.
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