Falecimento de Luísa Cunha
A artista plástica Luísa Cunha, de 77 anos, distinguida em 2021 com o Grande Prémio Fundação EDP Arte, morreu esta segunda-feira no Hospital de São José, em Lisboa, devido a doença oncológica, segundo adiantou à agência Lusa uma fonte próxima da família.
Nascida em 1949, em Lisboa - cidade onde vivia -, a artista tinha dado entrada naquela unidade hospitalar na noite de domingo. A mesma fonte, ligada à família da criadora representada pela Galeria Miguel Nabinho, indicou que a morte ocorreu já no final da manhã de hoje, “após uma luta contra o cancro nos últimos anos”.
Obra e linguagem: o som como imagem de marca
O trabalho de Luísa Cunha ficou especialmente associado às esculturas sonoras e à exploração do som, recorrendo com frequência a interpelações muito breves e repetidas, num registo coloquial, a partir de frases do dia a dia. Por essa via, investigava os mecanismos da comunicação e procurava provocar reflexão.
A formação académica inicial foi em Filologia Germânica, licenciatura concluída em 1972 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. O percurso nas artes visuais começou, contudo, mais tarde: aos 37 anos, no âmbito do curso de escultura que frequentou em 1994 no Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa. Nesse mesmo espaço viria também a lecionar, até 1997.
Exposições, prémios e presença internacional
Nos últimos três meses, até este domingo, a obra de Luísa Cunha esteve presente na bienal Anozero, em Coimbra, com a instalação “Words for Gardens”, apresentada na Estufa Fria do Jardim Botânico, e com “Hello!”, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova - duas propostas marcadas pela sua voz.
Em 2023, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, acolheu a primeira retrospetiva dedicada ao seu trabalho, na sequência da atribuição, em 2021, do Grande Prémio Fundação EDP Arte.
Com curadoria de Isabel Carlos, a mostra intitulada “Hello! Are you there?” cobriu um arco temporal entre 1992 e 2022 e reuniu os diversos suportes e linguagens que a artista utilizou: do som à fotografia, passando pelo vídeo, pelo desenho e pela escultura.
Além disso, Luísa Cunha recebeu o Prémio AICA 2022 (Associação Internacional de Críticos de Arte, secção portuguesa) na área das artes visuais.
Em 2020, integrou a coletiva “A exposição invisível”, na Culturgest, em Lisboa, centrada em obras sonoras. Nesse mesmo ano, participou também no Centro de Artes de Sines, no distrito de Setúbal, numa exposição dedicada à violência doméstica, que reuniu obras de 24 artistas portugueses, sob o título “Público/Privado - Doce Calma ou Violência Doméstica?”.
Fora de Portugal, foi a única artista portuguesa convidada para a Bienal de São Paulo, no Brasil, em 2021, participando igualmente com trabalhos sonoros na coletiva “Faz escuro mas eu canto”.
Antes disso, em 2007, participou numa exposição coletiva promovida pelo Museu de Arte Moderna do Luxemburgo (MUDAM) e, em 2004, esteve na Bienal de Sydney, na Austrália, com curadoria de Isabel Carlos, onde apresentou a instalação sonora “Words for Gardens”.
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