Craftdraft Unipessoal terá servido para receber e fazer desaparecer verbas com origem em burlas e crimes informáticos. O cabecilha português ficou em prisão preventiva.
Segundo a investigação, perto de um milhão de euros terá sido desviado de forma fraudulenta de uma conta bancária de uma empresa romena e encaminhado para uma sociedade de fachada criada em Ermesinde, no concelho de Valongo. O inquérito levou, na semana passada, à detenção de 12 pessoas no Norte do país pela Polícia Judiciária (PJ).
Os suspeitos, com idades entre os 30 e os 60 anos, são referidos como integrantes de uma organização criminosa transnacional que terá feito circular 17 milhões de euros. No topo da estrutura estaria um português a residir na Bélgica, que foi colocado em prisão preventiva.
Como operava a rede de fraudes e crimes informáticos
De acordo com os elementos recolhidos, o grupo atuaria pelo menos desde 2021, recorrendo à constituição de empresas sem atividade real e à abertura de contas bancárias para fazer passar dinheiro proveniente de burlas e crimes informáticos. Entre os métodos usados estariam esquemas de "CEO fraud", em que os autores se fazem passar por entidades credíveis para levar as vítimas a ordenar transferências.
Liderança e circulação internacional do dinheiro
A investigação aponta que a coordenação da rede caberia ao português residente na Bélgica, que se deslocaria a Portugal para dirigir as operações de branqueamento. Em território nacional, contaria com colaboradores regulares e com "money mules", angariados para criar sociedades de fachada e abrir contas destinadas a receber e movimentar montantes ilícitos.
Segundo a PJ, depois de entrar nas contas, o dinheiro seguia para contas na Lituânia, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Espanha e Suécia, o que dificultaria o rastreio das transferências.
Empresa romena lesada
Entre as sociedades identificadas está a Craftdraft Unipessoal, Lda., criada em novembro de 2023 por Amélia F., alegadamente a pedido do líder Adriano M.. De acordo com o Ministério Público, ele tê-la-á convencido, com promessa de pagamento, a constituir a empresa e a abrir contas bancárias para receber dinheiro de proveniência criminosa.
Depois de formalizar a sociedade, Amélia F. abriu contas no Santander Totta, Montepio, BPI e Novo Banco, entregando a Adriano M. os respetivos acessos de homebanking.
As contas da Craftdraft receberam múltiplas transferências vindas do exterior. A PJ do Porto detetou um padrão repetido: entradas de valores elevados seguidas da transferência rápida de quase todo o montante para outras contas. Esta dispersão, típica de branqueamento de capitais, acabaria por culminar em levantamentos em numerário.
Foi igualmente para uma conta da Craftdraft que terá sido enviado quase um milhão de euros pertencente à empresa romena Softeh Plus. Pessoas ainda não identificadas, mas alegadamente ligadas à mesma rede, terão acedido sem autorização à conta bancária da firma e ordenado duas transferências, em fevereiro de 2024, provocando um prejuízo de mais de 950 mil euros.
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Várias apreensões
No âmbito da operação "Jet Lag", além dos 12 detidos, a PJ apreendeu duas viaturas de alta gama, documentação considerada relevante para o inquérito e 19 contas bancárias nacionais.
Sem funcionários
As sociedades constituídas apresentavam diferentes objetos de atividade, mas não desenvolviam qualquer atividade económica efetiva, não tinham trabalhadores e não entregavam declarações fiscais. Ainda assim, eram titulares de contas bancárias para onde eram enviadas transferências de fundos.
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