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FIFA, Balogun, Trump, Neymar e Haaland: confirmações num Mundial ferido

Taça do Mundo de futebol em cima de mesa com camisolas do Brasil e Noruega, apontamentos táticos e telemóvel num estádio.

Falemos, então, de confirmações: a deceção com a FIFA, o odor nauseabundo de subserviência e uma rutura total com o bom senso. Entre alertas sucessivos e o mais grave descaramento, tudo se transforma numa anedota triste, expondo uma instituição falhada - incapaz de se proteger de pressões, de agir com verdadeira autonomia e de defender com rigor princípios de justiça e igualdade. E há mais confirmações: Neymar já não é, hoje, um jogador que se enquadre nas exigências do alto rendimento. Por fim, surge o selo de garantia de Haaland, aquele que faz com que os noruegueses não se cansem de levantar os braços nessa arte icónica de remar à viking, um "show" à parte neste Mundial.

FIFA, Infantino e a quebra de credibilidade no Mundial

Vejamos por partes. A suspensão de Balogun ter sido paralisada caiu como um choque generalizado. Cheguei a admitir que me escapava algum detalhe, mas não: estava tudo à vista - cristalino e, ao mesmo tempo, bizarro e impossível de compreender.

O que sempre foi transparente num vermelho direto (mesmo sem intenção) foi subvertido de forma histórica, num cenário arrepiante. E aconteceu o impensável: não se tratou de suavizar um castigo; o goleador dos norte-americanos foi simplesmente poupado a qualquer sanção. Abre-se aqui um precedente gravíssimo, sustentado por factos que não se podem desmentir.

Balogun, Trump e a interferência política

Trump molda Infantino como bem entende - e Infantino parece gostar de ser moldado, encolhido a corar num canto, como alguém sem liderança nem valores. Pouco lhe importará o dano na sua imagem pública, mesmo quando o cargo de presidente da FIFA acaba reduzido à condição de subalterno primário de um regime e de um anfitrião do Mundial.

Aliás, o Prémio da Paz atribuído ao homem que comanda o Mundo como o mais grosseiro "bully" já revelava, por si só, o quão nociva é esta amizade para o futebol. Os Estados Unidos entram em campo com uma vantagem (Balogun) para o duelo com a Bélgica. Diria, até, que esta absolvição deixa o próprio jogador numa posição embaraçosa dentro das quatro linhas.

Exibir a força de anfitrião não dá licença para tudo - muito menos para legitimar uma interferência política tão evidente. Trump nem sequer disfarçou ao congratular a FIFA pela despenalização de Balogun, e é difícil não imaginar o peso de uma chamada urgente a Infantino, invocando uma "Grande América" no Mundial.

Basta um caso desta dimensão para tapar a grandeza e a espetacularidade dos jogos - do Argentina-Cabo Verde ao México-Inglaterra, passando até pelo Portugal-Croácia. A ferida fica escancarada, o sangue não cessa, e não há compressas suficientes para estancar este rombo na dignidade do Mundial.

Brasil, Ancelotti, Neymar e o selo de Haaland

Quanto ao Brasil, pátria do futebol, o declínio foi impossível de esconder - nem mesmo com o mestre Ancelotti. Apesar de toda a sua bagagem, também ele acabou por não resistir às pressões, e o apelo do país por Neymar saiu caro.

A Noruega, por seu lado, tem Haaland e consegue bater-se com qualquer adversário. O avançado despachou o Brasil e transporta, com a sua magnitude física, a força do gelo - capaz de derreter até as temperaturas mais altas.

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