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Metilfenidato no ADHD: efeitos no peso e na altura na idade adulta

Criança a ser medida numa parede com régua de altura, observada por profissional de saúde e acompanhante.

Durante anos, muitos pediatras disseram às famílias que qualquer abrandamento no crescimento - em altura ou em peso - associado à medicação para o ADHD seria passageiro. A ideia dominante era simples: interrompendo o fármaco, o organismo acabaria por “recuperar” o crescimento.

Para testar essa suposição, investigadores acompanharam um grande grupo de crianças medicadas até à vida adulta. Quando analisaram o que aconteceu anos depois de terminadas as prescrições, os resultados foram menos tranquilos do que se esperava.

Da infância à idade adulta

O medicamento em causa é o metilfenidato, um estimulante frequentemente receitado para o ADHD, uma condição que afecta a atenção e o controlo dos impulsos. É utilizado há décadas e, na maioria dos casos, é bem tolerado pelas crianças.

Uma equipa liderada pelo Dr. Jihun Song, da Korea University College of Medicine (KU), seguiu quase 13,000 crianças com ADHD até ao início dos 20 anos.

Para cada criança, foi seleccionado um par com a mesma idade, sexo e rendimento. Esses pares não tinham o diagnóstico.

Os dados vieram do sistema nacional de seguros de saúde da Coreia do Sul, que cobre praticamente toda a população e regista altura e peso nas avaliações de rotina já em idade adulta.

Grande parte dos estudos anteriores tinha ficado pela adolescência; aqui, a análise avançou para lá disso, acompanhando os participantes até à idade adulta.

A questão do peso

O sinal mais evidente apareceu na balança. Em média, as crianças diagnosticadas com ADHD apresentaram mais peso quando chegaram à idade adulta do que os seus pares emparelhados.

O índice de massa corporal médio foi um ponto mais elevado: 24.3, face a 23.3. E, entre quem tomou o fármaco, essa diferença tornou-se ainda maior.

A probabilidade de obesidade na idade adulta foi cerca de 60% mais alta do que nos pares sem o diagnóstico. A proporção classificada como obesidade grave foi quase o dobro.

Quanto mais tempo uma criança permaneceu em metilfenidato, mais tendência teve para apresentar maior peso na idade adulta. Entre todos, os rapazes que estiveram no fármaco durante 1 a 4 anos surgiram como o grupo com valores mais elevados.

Metilfenidato e altura

A altura contou uma história mais discreta. Considerando todas as crianças com diagnóstico, a diferença observada em adulto ficou abaixo de um décimo de polegada (0.25 centímetros), um valor pequeno o suficiente para poder ser explicado pelo acaso.

Já entre os que tomaram o medicamento, verificou-se uma estatura ligeiramente inferior, e essa diferença manteve-se estatisticamente. Ainda assim, o desvio nunca atingiu meia polegada (1.3 centímetros).

A maior diferença apareceu nas raparigas com tratamentos mais prolongados, rondando um quarto de polegada (0.6 centímetros). Isto reforça um debate antigo sobre a relação entre estimulantes e crescimento.

Uma meta-análise de 2024 apontou para uma conclusão semelhante, mostrando efeitos reais, embora modestos, na altura. Os novos dados prolongam esse retrato até à idade adulta completa, quando o crescimento já terminou.

Factores em jogo

Perceber a causa é mais difícil do que identificar o padrão. O estudo avaliou resultados, não mecanismos biológicos, pelo que as razões permanecem incertas.

Existem algumas explicações plausíveis, e podem actuar em simultâneo. A mais óbvia é o apetite. O metilfenidato reduz a fome, e uma revisão em adultos confirma esse efeito.

Saltar refeições pode travar o crescimento, mas comer em excesso quando o efeito do medicamento passa pode contribuir para aumento de peso.

O sono pode ser outro elemento-chave. Crianças com ADHD dormem frequentemente mal, e as hormonas de crescimento são libertadas sobretudo durante o sono profundo.

Noites interrompidas podem enfraquecer os sinais associados a um surto de crescimento. Além disso, a própria química do fármaco poderá influenciar esse sistema.

Uso mais prolongado, efeitos mais marcados

A duração do tratamento destacou-se repetidamente como o fio condutor mais forte. As crianças com períodos mais longos em medicação, entre 1 e 4 anos, foram as que apresentaram mais peso e menor estatura.

Tratamentos curtos deixaram uma marca menos visível. A altura do início também contou: crianças tratadas antes da puberdade mostraram os efeitos de forma mais intensa do que adolescentes que começaram mais tarde.

Isto não é totalmente inesperado. Um seguimento norte-americano de referência já tinha observado que a redução inicial de crescimento em altura associada a estimulantes não era totalmente recuperada anos depois.

O que este trabalho acrescenta é a dimensão da amostra e uma visão clara dos desfechos ao nível de toda uma população.

O que pode significar daqui para a frente

«A diferença de altura observada foi clinicamente pequena em ambos os sexos e grupos etários», escreveram os autores.

O peso, no entanto, tem maior impacto. A obesidade em adulto foi mais frequente entre quem tinha tomado o medicamento, e a associação tornou-se mais forte com maior tempo de utilização.

Os resultados apontam para a importância de medições regulares de altura e peso em crianças com tratamentos prolongados, além de atenção ao sono e à alimentação. Em crianças com maior risco, os médicos poderão ponderar doses mais suaves ou outra medicação.

Um grande estudo de base populacional acompanhou agora o tratamento do ADHD na infância até ao início da vida adulta.

Encontrou efeitos pequenos, mas mensuráveis, no peso e na altura, que se tornaram mais evidentes com tratamentos mais longos, reforçando a necessidade de monitorização continuada.

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