Um erro que pode trazer consequências.
De repente, acontece: surge um fio claro na têmpora, no meio da franja ou na nuca. Quem se incomoda costuma arrancá-lo de imediato, na esperança de “resolver” a situação. E a velha frase de que depois “nascem dois novos” continua a circular. Só que, no couro cabeludo, as coisas funcionam de outra forma.
Porque é que o cabelo fica branco
Para um cabelo ter cor, são necessários pigmentos - sobretudo melanina. Esses pigmentos são produzidos por células específicas no folículo piloso, chamadas melanócitos. São elas que dão ao cabelo a sua tonalidade - do preto ao castanho, passando pelo loiro e o ruivo.
Com a idade, os melanócitos vão perdendo atividade de forma gradual. Produzem cada vez menos melanina, até que, em alguns folículos, deixam de a produzir por completo. A partir daí, o cabelo já não cresce pigmentado: cresce branco ou grisalho. Este processo tem um nome clínico: os médicos chamam-lhe “canície”, isto é, o embranquecimento do cabelo associado ao envelhecimento.
Em termos típicos, os primeiros fios brancos aparecem entre os 35 e os 45 anos. Em algumas pessoas surge mais cedo, noutras bem mais tarde - e uma parte importante disso é determinada pela genética. Quem tem pais ou avós que embranqueceram cedo, muitas vezes também desenvolve mais cedo as chamadas “madeixas prateadas”.
“Um folículo piloso só consegue produzir um único cabelo de cada vez - seja ele preto, castanho ou branco.”
O mito famoso: nascem dois cabelos no lugar de um?
A ideia soa quase convincente: arrancar um fio branco e, como “castigo”, nascerem dois. É impactante, mas biologicamente não faz sentido.
O folículo piloso funciona como uma pequena fábrica sob a pele. Essa “fábrica” só consegue produzir um único “fio” - um cabelo. Se esse cabelo for retirado, o mesmo folículo, passado algum tempo, volta a entrar em ciclo e produz outro cabelo. Mas não aparece, de repente, um segundo folículo ao lado só porque alguém puxou.
Então porque é que, às vezes, parece que aparecem mais fios brancos assim que se descobre o primeiro? Há várias explicações possíveis:
- Enquanto se fixa a atenção num único fio branco, outros vão surgindo naturalmente nesse mesmo período - por causa do processo normal de envelhecimento.
- Depois de encontrar um cabelo branco, é comum procurar com muito mais atenção e, por isso, detectar mais.
- Cabelos curtos, acabados de crescer, destacam-se mais visualmente - por exemplo, na raiz ou nas têmporas.
A sensação de “desde que arranco, aparecem mais” nasce sobretudo na perceção - não no folículo.
O que acontece no folículo piloso quando se arranca um cabelo
O facto de o mito dos “dois cabelos” não ser verdade não significa que arrancar seja inofensivo. Pelo contrário: puxar repetidamente pelos mesmos cabelos coloca stress nos folículos e pode causar danos permanentes.
Ao arrancar com força, podem acontecer situações como:
- O cabelo parte-se mesmo acima da superfície da pele - e continua a crescer normalmente.
- O cabelo sai com a raiz, arrancado do folículo - e o folículo precisa de recuperar.
- O folículo é lesionado ou fica com cicatriz - e, nesse local, pode deixar de nascer cabelo.
Se, depois de puxar, aparecerem pequenas gotas de sangue no couro cabeludo, é um sinal claro de alerta: significa que se foi demasiado fundo e que estruturas importantes para o crescimento podem ter sido danificadas.
“Quem puxa repetidamente nas mesmas zonas arrisca mini-áreas de falhas no couro cabeludo - sobretudo ao longo da linha do cabelo e nas têmporas.”
De alopecia por tração a infeção: as possíveis consequências
Há anos que os dermatologistas observam uma forma específica de queda de cabelo causada por esforço mecânico: a alopecia por tração. O termo descreve a perda de cabelo provocada por puxões e tensão constantes, por exemplo devido a:
- tranças, coques ou cornrows muito apertados
- rabos-de-cavalo justos ou penteados muito puxados para trás com gel
- arrancar repetidamente com pinça ou com as unhas
Quem arranca fios isolados com frequência provoca o mesmo efeito, só que numa escala mais pequena. Os folículos das áreas afetadas podem ganhar cicatriz. Quando isso acontece, a zona tende a ficar permanentemente mais rala - ou mesmo sem cabelo.
Além disso, quem recorre muitas vezes à pinça ou aos dedos expõe-se a outros riscos:
- Pequenas feridas: microfissuras na pele tornam-se uma porta de entrada ideal para bactérias.
- Inflamações: o folículo pode inflamar e formar pústulas dolorosas.
- Cicatrização: cada inflamação pode deixar pequenas cicatrizes no folículo.
- Pelos encravados: se a saída do folículo ficar obstruída ou cicatrizada, o novo cabelo pode continuar a crescer por baixo da pele.
Do ponto de vista estético, isto é precisamente o contrário do que a maioria pretende: em vez de eliminar um fio branco que incomoda, pode acabar por afinar a linha do cabelo.
Mais vale não mexer: porque é que os cabelos brancos devem ficar na cabeça
A opção mais simples e mais saudável é esta: não arrancar cabelos brancos. Eles podem sinalizar o avançar da idade, mas não fazem mal a ninguém. E ficam muito mais seguros no folículo do que quando são puxados e maltratados.
Para quem se sente incomodado com as primeiras madeixas prateadas, existem alternativas mais suaves:
- Tonalizar ou pintar: os produtos atuais são, em geral, mais suaves. Uma tonalização discreta pode disfarçar bem os primeiros fios brancos.
- Madeixas: madeixas mais claras ou mais escuras reduzem o contraste entre a cor natural e o branco.
- Novo corte: um corte diferente pode integrar ou disfarçar zonas mais grisalhas.
- Mudança de estilo assumida: muitas pessoas optam hoje por “Silver Hair” de forma intencional e com confiança.
“Quando os cabelos ficam na cabeça, os folículos, a densidade e o volume tendem a manter-se mais estáveis a longo prazo.”
Até que ponto o estilo de vida e os genes influenciam o embranquecimento?
A pergunta sobre quando alguém fica grisalho pode responder-se, de forma geral, assim: uma parte grande depende dos genes. Olhar para o histórico familiar costuma dar uma boa indicação. Ainda assim, fatores do estilo de vida também podem ter influência.
Possíveis fatores que podem favorecer o embranquecimento precoce incluem:
- stress crónico
- consumo de nicotina
- exposição solar intensa sem proteção na cabeça
- alimentação pobre, por exemplo falta prolongada de determinados vitaminas e oligoelementos
- certas doenças autoimunes ou alterações hormonais
Alguns destes pontos podem ser ajustados. Ninguém consegue travar totalmente o tempo, mas manter uma alimentação equilibrada, cuidar do couro cabeludo e reduzir o stress é, em geral, benéfico para o cabelo - independentemente da cor.
Quando os cabelos brancos se tornam uma questão emocional
Muitas vezes, mais pesado do que a cor em si é o que ela simboliza: “Estou a ficar velho.” Para algumas pessoas, esta ideia pesa mais aos trinta e tal do que para outras aos cinquenta e tal. Arrancar pode parecer, naquele momento, um pequeno gesto de resistência diante do espelho.
Pode ajudar adotar uma perspetiva mais prática:
- Cabelos brancos dizem pouco sobre a condição física real ou a atratividade de uma pessoa.
- Podem ser penteados, pintados ou até realçados - há margem de manobra.
- Quase todas as gerações tiveram modas que, vistas mais tarde, parecem duvidosas - desde sobrancelhas ultrafinas até permanentes. Folículos danificados de forma permanente são o tipo de “tendência” que depois é difícil de corrigir.
Quem já criou o hábito de arrancar pode tentar reeducar-se passo a passo: pousar a pinça, afastar-se mais do espelho, pedir ao/à cabeleireiro(a) um corte que exija menos “controlo”. Cada momento em que se evita puxar é um folículo protegido.
No fundo, a frase antiga do crescimento em dobro é um mito. O risco real não é “aparecerem mais cabelos brancos”, mas acabar por ficar com menos cabelo no total. Quem quer fazer um favor à imagem no espelho deixa os fios brancos onde devem estar - bem ancorados num folículo piloso tão saudável quanto possível.
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