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Toalhas: estudo japonês revela 164.000 bactérias e biofilme

Pessoa segura duas toalhas, uma limpa e branca e outra suja com ilustração de germes e bactérias.

Um objeto banal do dia a dia acaba por revelar-se um verdadeiro foco escondido de bactérias.

As toalhas ficam discretamente penduradas no gancho, absorvem humidade todos os dias - e, em muitas casas, só vão para a lavagem passado várias semanas. Um estudo japonês vem agora mostrar a rapidez com que se forma nelas uma camada bacteriana densa e resistente. Os resultados são tão claros que dá vontade de repensar já os hábitos na casa de banho.

O que os investigadores encontraram em 26 lares

Durante seis meses, uma equipa liderada pelo microbiologista Kato acompanhou 26 lares no Japão. Ao longo do período, os cientistas recolheram toalhas de banho com regularidade e quantificaram tanto o número como os tipos de bactérias presentes. Assim, conseguiram observar com grande precisão como a carga microbiana se vai acumulando no uso quotidiano.

No arranque do estudo, a contaminação era ainda relativamente controlada. Porém, a cada utilização, os valores aumentavam. Fibras húmidas, temperatura ambiente e restos orgânicos - suor, células mortas da pele e resíduos de sabonete - criam um terreno fértil. Com o tempo, um número crescente de microrganismos passa a instalar-se na própria estrutura do tecido.

Um pormenor relevante: não apareceram apenas as bactérias típicas da pele. Com o passar das semanas, começaram a surgir cada vez mais espécies que, em regra, vivem na água, como Aureimonas ou Brevundimonas. Estas chegam ao tecido através da água da torneira ou da humidade no ar da casa de banho e acabam por aí permanecer.

"O estudo mostra um ponto de viragem claro: ao fim de cerca de oito semanas de utilização, o equilíbrio microbiano muda - uma toalha normal transforma-se num foco bacteriano estável."

164.000 bactérias por centímetro quadrado - o que significa isto na prática?

Ao fim de aproximadamente dois meses de uso regular, as toalhas atingiram, em média, cerca de 164.000 bactérias por centímetro quadrado de tecido. Trata-se de um valor claramente superior ao que se encontra, por norma, na pele humana.

Em paralelo, um artigo da TIME Magazine reporta outro dado inquietante: em muitas toalhas de banho é possível detectar microrganismos de origem fecal, incluindo Escherichia coli. Estes germes podem chegar ao tecido por mãos mal lavadas ou por micro-salpicos da sanita e, depois, manter-se aderentes às fibras.

O microbiologista ambiental Charles Gerba demonstrou, em estudos anteriores, a rapidez com que estes microrganismos se multiplicam em têxteis. Bastam três utilizações sem lavagem para a contagem bacteriana disparar. As zonas mais afectadas tendem a ser precisamente as usadas para secar o rosto e as mãos - isto é, os pontos por onde os germes podem entrar com mais facilidade nos olhos, na boca ou em pequenas lesões cutâneas.

Biofilme: quando as bactérias constroem uma fortaleza

O problema não é apenas a quantidade, mas também a forma como as bactérias se organizam. A partir de cerca da oitava semana, começa a formar-se na toalha um biofilme estável: uma espécie de camada viscosa composta por várias espécies, envolvidas numa matriz produzida por elas próprias. Esta película fica firmemente agarrada às fibras.

Dentro de um biofilme, as bactérias ficam mais protegidas. Os detergentes têm dificuldade em penetrar e o calor de uma lavagem doméstica muitas vezes não chega para alcançar todas as camadas. Mesmo um programa a 40 ºC pode deixar parte desta comunidade praticamente intacta.

"Quando o biofilme já está instalado, a toalha deixa de ficar verdadeiramente limpa - pode parecer fresca, mas continua microbianamente contaminada."

Com que frequência se deve lavar as toalhas, afinal?

Os microbiologistas envolvidos defendem intervalos de lavagem bem mais curtos do que os praticados em muitos lares. Para quem usa a mesma toalha de banho todos os dias, a recomendação ideal é:

  • lavar a cada dois a três dias
  • escolher uma temperatura de lavagem de, no mínimo, 60 ºC
  • optar, se o tecido permitir, por detergente de roupa com agente branqueador
  • deixar secar completamente após a lavagem, de preferência na máquina de secar ou num local bem ventilado

Com esta rotina, as bactérias são removidas antes de conseguirem formar biofilmes estáveis. Em famílias com crianças pequenas, pessoas idosas ou indivíduos com o sistema imunitário fragilizado, isto pode representar um factor de protecção relevante.

Os maiores erros de higiene na casa de banho

Montinhos húmidos em vez de uma superfície a secar

Muita gente, depois do duche, pendura a toalha dobrada no gancho ou até torcida sobre o aquecedor. Com várias camadas de tecido sobrepostas, a humidade fica retida durante muito mais tempo - e o calor acelera o problema.

A alternativa mais eficaz: abrir a toalha totalmente, por exemplo numa barra ou num suporte largo. Assim, o ar circula, a água evapora mais depressa e a fase húmida encurta. Quanto menos tempo a toalha permanece molhada, menor é a oportunidade para uma multiplicação intensa de bactérias.

Partilhar toalhas - cómodo, mas arriscado

No dia a dia, é comum parceiros ou crianças usarem a mesma toalha no mesmo agregado. Do ponto de vista microbiológico, não é recomendável. Cada pessoa tem a sua própria flora cutânea e, quando existem agentes patogénicos, o uso partilhado aumenta a probabilidade de transmissão.

Vários estudos indicam que têxteis partilhados podem ter um papel importante na disseminação de agentes de gastroenterites, infecções cutâneas ou vírus associados a constipações. Por isso, especialistas em higiene são claros: cada pessoa deve ter a sua própria toalha, distinguida, por exemplo, pela cor ou por um bordado.

Quando é que se deve substituir uma toalha por completo?

De acordo com as observações feitas no Japão, ao fim de cerca de 60 dias de utilização intensa torna-se difícil eliminar totalmente os biofilmes. Mesmo com lavagens frequentes, deixa de ser possível garantir que o tecido fica livre de camadas bacterianas aderentes e estáveis.

Quando uma toalha, apesar de lavada, começa a ganhar cheiro mais depressa, fica áspera, com um toque “engordurado”, ou apresenta manchas e descolorações, faz sentido trocá-la. Muitos profissionais recomendam, aliás, renovar as toalhas de banho a cada um a dois anos - dependendo da qualidade e da frequência de uso.

Complementos práticos para uma casa de banho mais higiénica

  • Fechar a tampa da sanita: antes de puxar o autoclismo, feche a tampa para reduzir aerossóis com germes fecais.
  • Ter toalhas suficientes: com pelo menos três toalhas de banho por pessoa em rotação, torna-se mais fácil cumprir o ritmo de lavagem.
  • Guardar as toalhas de convidados separadamente: toalhas pequenas e trocadas com frequência para visitas ajudam a reduzir a circulação de germes na família.
  • Usar correctamente os programas de lavagem: o programa Eco poupa energia, mas por vezes não mantém temperaturas altas durante tempo suficiente. Para têxteis muito carregados, escolha ocasionalmente um programa de higiene.

Porque é que os biofilmes são tão problemáticos

Os biofilmes não aparecem apenas nas toalhas. Também são comuns em mangueiras de duche, estojos de lentes de contacto, garrafas de água reutilizáveis ou suportes de escovas de dentes. Sempre que há água, nutrientes e uma superfície, esta comunidade viscosa pode formar-se.

No interior de um biofilme, as bactérias conseguem trocar material genético, incluindo genes associados a resistências a antibióticos. Além disso, toleram melhor períodos de secura e tendem a ser menos sensíveis a desinfectantes. Na prática, isto significa que, onde existe um biofilme estável, “passar um pano uma vez” costuma ser insuficiente.

Na casa de banho, uma regra simples ajuda: tudo o que fica molhado com frequência e envolve contacto com o corpo precisa de um plano de manutenção claro. Para além das toalhas, isto inclui panos de lavagem, tapetes de banho, cortinas de duche e panos de limpeza. Quando se criam rotinas consistentes, a carga microbiana em casa baixa de forma significativa - sem cair em exageros de esterilidade.

No fim de contas, as toalhas são objectos de uso. Devem secar, aquecer e funcionar no quotidiano. Ainda assim, os dados japoneses mostram com grande nitidez como um tecido felpudo pode tornar-se rapidamente numa “fortaleza” bacteriana. Lavar com mais frequência e garantir uma boa secagem das toalhas molhadas reduz este risco com um esforço mínimo.


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