- ADICIONAR O ZONA MILITAR NO
Porque deve adicionar-nos? Receba as notícias do Zona Militar no seu Google.
- ENTRE NO CANAL DO WHATSAPP
Junte-se ao nosso canal oficial do WhatsApp.
A Marinha do Brasil (MB) deu início, na sexta-feira, 7 de novembro, na Praia do Futuro, em Fortaleza (CE), a acções preparatórias para o segundo exercício de protecção de cabos submarinos, marcado para a semana seguinte. Este treino pretende reforçar a defesa de infra-estruturas críticas associadas à soberania digital, à cibersegurança e à integridade das comunicações nacionais.
👉 Leia também: Submarinos para a Marinha Argentina: Brasil surgiria como um actor-chave para financiar e impulsionar a opção francesa Scorpène
Contexto e entidades envolvidas na protecção de cabos submarinos
O exercício reúne um vasto conjunto de entidades públicas, entre as quais a Presidência da República (GSI), a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), a Polícia Federal, a Companhia dos Docas do Ceará (CDC), as Polícias Civil e Militar do Estado do Ceará, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a Autoridade Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), a Petrobras, os Ministérios da Defesa e das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Integram também a iniciativa empresas privadas das áreas da tecnologia e das telecomunicações, como a Telxius, Azion, Claro, Sparkle, V.Tal-Globenet, Seaborn, Angola Cables, Blue Marine, Emgepron, Backbone, BRS Robotics, Tidewise e Tecto.
A origem desta iniciativa remonta ao Workshop de 2024 sobre Protecção de Cabos Submarinos, no qual se sublinhou a necessidade de desenvolver capacidades operacionais específicas para proteger estas infra-estruturas, responsáveis pela maior parte das transmissões de dados do país. Deste trabalho resultou o primeiro exercício nacional de protecção de cabos submarinos, realizado em Maio desse ano, que permitiu testar procedimentos de vigilância, reacção a incidentes e coordenação interinstitucional.
📌 Pode interessar-lhe
- A conhecer o Humaitá: o moderno submarino da Marinha do Brasil que realizará o seu primeiro destacamento internacional no Mar Argentino
- Áustria e Suécia ampliam programa do C-390 Millennium com a aquisição de simuladores da Embraer
Meios mobilizados e área de operações da Marinha do Brasil em Fortaleza
Para esta segunda edição, a Marinha mobilizou 385 militares e 23 embarcações, incluindo o navio de salvamento submarino “Guillobel” (K120), o submarino “Humaitá” (S41) e o helicóptero SH-16 “Seahawk”, além da aeronave de patrulha P-95 “Bandeirulha” da Força Aérea Brasileira (FAB). Participarão ainda outros 44 técnicos provenientes de várias empresas de telecomunicações.
O submarino Humaitá (S41), apontado como uma das plataformas mais modernas da Marinha, irá executar uma operação de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR) na área marítima de Fortaleza, referida como o maior centro de cabos submarinos da América Latina. As manobras decorrerão a 50 milhas náuticas - aproximadamente 90 quilómetros - do porto de Mucuripe. A unidade chegou ao Ceará em 6 de novembro, depois de ter integrado a Operação Atlas 2025, navegando desde a foz do rio Amazonas.
Em terra, os fuzileiros navais da Marinha, do Comando da Divisão Litorânea e do 3.º Batalhão de Operações Litorâneas de Fuzileiros Navais (Natal-RN), ficarão encarregues da segurança física de áreas e instalações ligadas ao sistema de cabos submarinos. Este trabalho será feito em articulação com empresas de telecomunicações, com vista à protecção de centros de dados e estações terrestres.
Vigilância, operações especiais e ciberdefesa durante o exercício
No decurso do exercício, o helicóptero SH-16 Seahawk, cuja missão principal é a guerra anti-submarina e anti-superfície, efectuará operações de reconhecimento de vídeo (IVR) tanto de dia como de noite, com o objectivo de identificar actividades de mergulho e a operação de veículos subaquáticos.
As forças de operações especiais da Marinha - integrando Comandos Anfíbios e Mergulhadores de Combate - conduzirão treinos de abordagem a embarcações consideradas suspeitas e de recuperação de instalações, com foco na protecção de infra-estrutura crítica no mar e em terra. O Esquadrão de Guerra Cibernética aproveitará o exercício para aprofundar a cooperação com empresas de telecomunicações, conhecer o funcionamento dos seus sistemas tecnológicos e melhorar os protocolos de defesa cibernética.
O Centro de Guerra Acústica e Electrónica da Marinha apoiará as acções de inteligência através da análise de emissões electromagnéticas e acústicas, bem como do tratamento de imagens fotogramétricas aéreas e de satélite disponibilizadas pela Força Aérea Brasileira.
O Contra-Almirante Fuzileiro Naval Stewart, Comandante Naval de Operações Especiais, declarou: “A concentração estratégica desses recurso na área marítima do Ceará demonstra a capacidade da Marinha do Brasil de operar em qualquer área da Amazônia Azul, garantindo a segurança dos interesses nacionais no mar e em terra.”
O segundo exercício de protecção de cabos submarinos procura reproduzir cenários de ameaça e respostas a incidentes que possam comprometer estes sistemas, considerados determinantes para a economia global e para a segurança nacional. Ao longo das manobras, serão apreciados protocolos de vigilância marítima, procedimentos de comunicação interinstitucional e capacidades de resposta a emergências numa área estratégica do litoral brasileiro.
Os cabos submarinos asseguram o transporte de dados financeiros, governamentais, científicos e de comunicações entre continentes; por isso, uma interrupção pode ter impacto económico e afectar a soberania digital de um país.
Neste enquadramento, a Marinha do Brasil mantém presença permanente na Amazónia Azul, contribuindo para a monitorização das rotas onde se localizam estas infra-estruturas. A articulação entre vigilância naval e cibersegurança surge como um novo paradigma de defesa nacional, em que a protecção do espaço marítimo se liga directamente à preservação das comunicações digitais.
O Comandante Ricardo, do Comando de Operações Especiais da Marinha, salientou: “O exercício em Fortaleza reafirma o compromisso da Marinha do Brasil em fortalecer suas capacidades operacionais para proteger infraestruturas essenciais, garantindo a continuidade e a segurança das comunicações vitais para o país e o mundo. A participação de diversas agências e empresas privadas demonstra que a proteção de infraestruturas críticas exige ação integrada e colaborativa.”
Imagens obtidas junto da Marinha do Brasil.
Também pode interessar-lhe: Com o destacamento de aeronaves F-5M e A-29 Super Tucano, a Força Aérea Brasileira reforça a sua defesa aérea durante a Cimeira de Líderes em Belém
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário