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Duas irmãs de 72 e 75 anos encontradas mortas numa estufa na Estela, Póvoa de Varzim

Interior de estufa com plantas em vasos, tomates maduros, duas cadeiras em madeira e uma cesta colorida.

Duas irmãs, de 72 e 75 anos, foram encontradas sem vida, este domingo, dentro de uma estufa na Estela, na Póvoa de Varzim. Tudo aponta para que tenham sido vítimas das temperaturas elevadas.

Florinda Ferreira e Maria Ferreira

De acordo com o que o JN conseguiu apurar, Florinda Ferreira, a irmã de 75 anos, cuidava da mais nova, Maria Ferreira, de 72, que tinha uma deficiência cognitiva. Viviam ambas na mesma habitação.

O pedido de socorro foi feito por volta das 11 horas deste domingo, para a Travessa Manuel Martins Felgueiras, na Estela.

Rotina na Feira da Estela e a última ida à estufa

Aos domingos, era habitual as duas irmãs venderem na Feira da Estela, dedicada a produtos hortícolas. Desta vez, a ausência chamou a atenção dos familiares, que foram procurá-las. Como não as encontraram em casa, seguiram para a estufa, onde acabariam por as localizar já sem vida.

A família admite que as mortes possam ter ocorrido ainda no sábado, num dos dias mais exigentes da vaga de calor que tem afetado o país. A suspeita é de que Florinda se tenha sentido mal e que Maria, sem capacidade para pedir ajuda, tenha permanecido sentada ao lado da irmã. As duas acabaram por morrer.

Crime descartado

Ao local acorreram os Bombeiros da Póvoa de Varzim, mas as duas irmãs já estariam mortas há várias horas. A Polícia Judiciária também esteve no terreno, contudo as autoridades afastaram desde já a hipótese de crime. Segundo foi transmitido ao JN, tudo indica que terão sido vítimas do calor extremo.

"Era gente muito, muito boa", disse ao JN Fernando Maciel, morador nas proximidades. As famílias mantinham amizade há décadas. Fernando contava que, de tempos a tempos, encontrava alfaces e tomates pendurados no puxador da porta, deixados por Florinda e partilhados com carinho pela vizinhança. Este domingo, não conseguiu conter as lágrimas.

No sábado, os vizinhos só terão visto as duas irmãs ao final da manhã. A falta na missa das 18 horas gerou estranheza, mas "podia ser por causa do calor". Foi apenas no domingo, com a ausência na Feira da Estela, que o alerta ganhou outra dimensão.

"Na sexta-feira à noite estivemos aqui a conversar. Ainda lhe disse para não irem para o campo [local onde foram vistas no sábado] com este calor. Respondeu-me: "Eu gosto disto. Só vou mais à tardinha!". E hoje acordei com esta notícia", relatou Fernando, ainda abalado com a tragédia que atingiu o pequeno lugar do Teso, na Estela.

Joaquim Fontes, presidente da Horpozim - Associação de Horticultores da Póvoa de Varzim, manifestou pesar pela morte das duas associadas, "muito queridas e conhecidas na freguesia". Florinda era sogra do antigo dirigente da Horpozim, José Manuel Moreira.

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