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Mãe de Bernardo Silva diz que o filho está focado em ganhar o Mundial e cumprir um sonho de criança

Mulher a torcer sentada no sofá com cachecol de Portugal, a ver jogo de futebol na televisão em casa.

Nervos antes de cada jogo

Ansiedade e nervos à flor da pele. É assim que Maria João Veiga, mãe de Bernardo Silva, descreve os dias lá em casa - e admite que, à medida que um jogo se aproxima, a tensão sobe ainda mais. Depois de ter viajado para os Estados Unidos para apoiar a seleção nos primeiros encontros da fase de grupos, viu-se obrigada a regressar a Portugal e, com a distância, sentiu a ansiedade agravar-se. O duelo com a Croácia, conta, foi o limite.

"Fico nervosa, nestes jogos principalmente, por isso prefiro estar sozinha, não gosto de combinar nada com ninguém, gosto de estar à vontade", explicou ao JN Maria João Veiga. E reforçou a diferença entre viver o jogo na bancada e fazê-lo longe do estádio: "No estádio, é diferente. Estive nos Estados Unidos na semana passada, entretanto voltei, mas contra a Croácia foi um jogo de nervos, porque são jogos de tudo ou nada e a intensidade é muito grande".

Entre a vontade de acompanhar a seleção e o regresso ao trabalho

O convívio à volta da seleção - com familiares dos restantes jogadores a marcarem presença nos jogos - continua a ocupar-lhe o pensamento nestes dias. "Na semana passada, ainda ponderei ficar por lá, mas sou professora e tenho de trabalhar, por isso tive de regressar. Gostava de ter ficado e acompanhado a equipa, mas tenho a mala à porta de casa e ainda estou hesitante se vou ver o jogo a Dallas, ainda me estou a roer. Estive na Rússia e no Catar, e a expectativa é sempre muita. Neste, já vi os dois primeiros jogos e estou muito ansiosa, mas tenho a mala pronta".

Bernardo Silva e o foco total em vencer o Mundial

Em casa, garante, faz-se questão de afastar qualquer pressão extra sobre o jogador. "Não lhe deixei nenhuma mensagem, nem tivemos qualquer conversa, para não lhe acrescentar mais pressão", assegurou. E admite que, embora seja emotiva, escolhe bem os momentos: "Sou mais emotiva, mas em presença" - sempre com a consciência de que, agora, o essencial é o foco de que o filho precisa.

Sobre Bernardo Silva, diz não ter dúvidas quanto à ambição com que está a viver este Mundial. "Sei que ele está muito satisfeito por estar neste Mundial. Estamos com a expectativa de ganhar e sei que essa vontade de ganhar é forte, porque não esqueceu a frustração de não ter feito parte do Europeu que Portugal ganhou em 2016. Na altura, ficou de fora por lesão e sofreu muito. Foi uma grande frustração, porque era um dos sonhos de criança. Por isso, ganhar este Mundial seria muito importante para o Bernardo, também por causa disso", explicou.

A mãe lembra ainda que o fator idade também pesa na forma como o jogador encara esta oportunidade: "aos 31 anos, já não é propriamente um jogador novo e isso acrescenta ainda mais ansiedade e vontade de querer ganhar".

Apesar de tudo, sublinha que Bernardo Silva sabe separar emoções e pragmatismo. E, mesmo com os inúmeros títulos já conquistados - sobretudo ao serviço do Manchester City -, continua a mostrar a mesma lucidez e determinação. "São jogadores que ganham aquilo que poucos ganham, os últimos 11 anos têm sido fantásticos para ele e não faltam situações que os podiam levar a perder a noção e deixar de ter os pés assentes na terra, mas o Bernardo, já por ele, é muito pragmático. Consegue perfeitamente gerir essas situações, porque é uma pessoa com um feitio próprio, forte, muito objetivo, obstinado, daquelas pessoas com tudo muito bem definido", completou.

"Os projetos e os objetivos estão claros na cabeça dele. Não é fácil perder a noção e o equilíbrio", descreveu Maria João Veiga.

A homenagem a Diogo Jota no grupo de Roberto Martínez e o futuro no Real Madrid

No grupo convocado por Roberto Martínez, há um traço comum que, para a mãe de Bernardo Silva, tem servido de combustível emocional: a memória de Diogo Jota. E o médio, diz, também se revê nesse espírito. "Acho que isso lhes dá uma força extra, uma força especial e têm sabido utilizá-la de uma forma muito bonita. Mas na altura foi horrível, mesmo para nós e para mim, que me coloco muito no papel do outro e dos pais dele e, de facto, foi horrível, principalmente para os pais. Lembro-me que custou muito ao Bernardo, mas todos eles acabaram por assumir isso de uma forma muito positiva. Têm isso tudo muito presente e fazem essa homenagem ao Diogo de cada vez que entram em campo, portanto vejo isso de uma forma muito bonita e acaba por ser mais uma motivação para eles ganharem este Mundial", partilhou.

Maria João Veiga recorda ainda que, na nova época, o jogador vai passar a representar o Real Madrid, depois de nove temporadas ao serviço do Manchester City.

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