Agressão no Aeroporto Humberto Delgado
Um agente da PSP ficou, esta segunda-feira, em estado grave na sequência de uma agressão violenta no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. O suspeito, um passageiro de nacionalidade irlandesa, foi detido, de acordo com uma nota do ministro da Administração Interna.
Luís Neves condenou o ataque, referindo que, antes disso, outros profissionais também foram alvo de agressões, incluindo dois seguranças.
"Durante a intervenção policial, um dos agentes foi gravemente agredido, tendo sido transportado para o hospital com ferimentos graves", refere o Ministério.
Detenção do suspeito irlandês
Segundo o gabinete de Luís Neves, o suspeito, de 27 anos e nacionalidade irlandesa, encontra-se detido nas celas de retenção do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, em Moscavide, onde permanecerá a aguardar audiência em tribunal. O mesmo comunicado indica ainda que "as circunstâncias que estiveram na origem deste incidente estão em investigação pelas autoridades competentes".
"Estamos a acompanhar a evolução do estado de saúde do agente ferido, desejando-lhe uma rápida recuperação, e manifesto total solidariedade para com os polícias envolvidos. As agressões contra elementos das forças de segurança, que diariamente garantem a proteção de todos, são absolutamente inaceitáveis e merecem a firme reprovação do Estado", sublinha o ministro Luís Neves.
Sindicato denuncia
Em comunicado, o Sindicato Independente dos Agentes de Polícia (SIAP) considerou que "a agressão no Aeroporto Humberto Delgado confirma" os avisos que tem vindo a deixar: "milhões de euros arrecadados, mas os meios continuam a faltar".
"Esta ocorrência demonstra, de forma clara, que as responsabilidades atribuídas à PSP no âmbito da segurança aeroportuária e do controlo de fronteiras não podem continuar a ser exercidas sem os meios humanos, materiais e tecnológicos adequados. A segurança não se garante apenas com o profissionalismo e a coragem dos polícias. Exige investimento efetivo e condições de trabalho compatíveis com os riscos que diariamente enfrentam", defende o sindicato.
"É legítimo questionar onde está a aplicação efetiva das verbas que a lei determina serem destinadas precisamente ao reforço dos meios da PSP na segurança aeroportuária. O comunicado emitido pelo Ministério da Administração Interna, condenando esta agressão, é importante. Contudo, os polícias não podem ser lembrados apenas quando são vítimas de ataques", prossegue o SIAP. Por isso, diz que "a solidariedade institucional tem de ser acompanhada por decisões concretas que garantam melhores condições de trabalho, equipamentos adequados e valorização efetiva dos profissionais".
Reforço de meios exigido pelo SIAP para a PSP
De forma concreta, o SIAP exige "reforço imediato dos meios materiais, tecnológicos e logísticos da PSP, transparência absoluta na gestão e aplicação das verbas provenientes da taxa de segurança aeroportuária, garantia de que a reafectação de efetivos não fragiliza outras valências operacionais e cumprimento efetivo das contrapartidas previstas na lei".
O sindicato acrescenta que a agressão desta segunda-feira "não pode resultar apenas em comunicados de circunstância. Deve traduzir-se em responsabilidade política e administrativa". E acrescenta que "os mais de 108 milhões de euros orçamentados e os mais de 84 milhões de euros já pagos têm de refletir-se em melhores meios, maior proteção para os polícias e maior segurança para todos os cidadãos".
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