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Estudo da NC State mostra que o SVAP pode falhar na avaliação da saúde dos riachos

Cientista em bata branca a recolher e analisar amostra de água num rio rodeado de vegetação.

Um riacho pode parecer impecável à primeira vista e, ainda assim, esconder problemas graves debaixo de água.

Um estudo recente indica que um método muito utilizado para avaliar a saúde dos riachos pode não detetar sinais de alerta essenciais, como pouco oxigénio, acidez e a presença de microrganismos patogénicos.

Uma equipa da North Carolina State University (NC State) pôs à prova o SVAP (Stream Visual Assessment Protocol), um protocolo que depende sobretudo daquilo que é possível observar no local.

Os investigadores concluíram que, embora o SVAP consiga descrever bem o estado físico visível do curso de água, frequentemente deixa escapar pistas importantes sobre a qualidade da água.

Testar a saúde dos riachos

“O nosso objetivo com o projeto foi avaliar a saúde de riachos urbanos na região usando tanto o SVAP como testes de qualidade da água feitos num laboratório”, afirmou a coautora Abigail Finch, antiga estudante de licenciatura na NC State.

“Descobrimos que havia uma discrepância significativa entre as pontuações do SVAP e os resultados dos testes de qualidade da água.”

No SVAP, quem avalia observa um conjunto de características visuais sem recorrer a equipamento laboratorial.

Entre os aspetos analisados estão o aspeto da água, a existência de habitat para invertebrados, a presença de poços mais profundos e outras características facilmente visíveis.

É precisamente esta simplicidade que explica a sua popularidade: não exige instrumentos especializados nem análises dispendiosas - basta formação, atenção e uma lista de verificação.

Características físicas e qualidade da água

Para perceber até que ponto o “retrato” visual refletia a realidade, a equipa avaliou quatro riachos urbanos com o SVAP e comparou esses resultados com medições objetivas.

De seguida, com recurso a instrumentos científicos, recolheram dados sobre as características físicas e sobre a qualidade da água.

Nas características físicas incluíram, por exemplo, a profundidade e a temperatura da água.

Já na componente de qualidade da água mediram a concentração de oxigénio dissolvido e os níveis de Enterococcus, um indicador bacteriano de contaminação fecal.

Limitações das avaliações visuais

Os resultados evidenciaram uma divisão clara. As pontuações do SVAP acompanharam de perto as características físicas medidas pelos investigadores - precisamente o tipo de aspetos que um observador treinado consegue estimar com razoável fiabilidade apenas ao olhar.

Contudo, quando o foco foi a qualidade da água, quase não surgiram correlações relevantes.

“Não havia marcadores visuais associados à maioria das características de qualidade da água”, disse a autora correspondente Erin McKenney, professora auxiliar de ecologia aplicada na NC State.

“A concentração de oxigénio dissolvido, o pH e a presença de Enterococcus são critérios críticos de qualidade da água, e o SVAP não oferece qualquer informação sobre essas características.”

Isto cria uma lacuna importante: oxigénio dissolvido, pH e presença de patogénios são fatores determinantes para saber se um riacho consegue sustentar vida aquática saudável ou se representa um risco.

São necessários esforços de restauro

Ainda assim, o SVAP não ficou totalmente desvalorizado. A equipa identificou alguns elementos específicos do protocolo que apresentaram ligações úteis com determinadas medições de qualidade da água.

Por exemplo, associaram o aspeto da água ao total de sólidos dissolvidos e à condutividade.

Também verificaram que alterações físicas nas margens do riacho se relacionavam com a turbidez, isto é, com o grau de “opacidade” da água.

Em conjunto, estes resultados sugerem que o SVAP, por si só, não consegue medir a saúde dos riachos, mas pode ajudar a sinalizar riachos urbanos que beneficiariam de intervenções de restauro.

Essas medidas podem incluir a plantação de vegetação nas margens para diminuir a erosão e filtrar o escoamento superficial poluído.

“A longo prazo, o restauro desses serviços do ecossistema pode ter um impacto significativo na saúde dos riachos”, afirmou McKenney.

Proteção contra cheias

Além da química da água, este tipo de restauro tem uma vantagem prática adicional.

“As zonas tampão ripícolas também podem reduzir os impactos de cheias, o que é um benefício significativo em ambientes urbanos”, observou Finch.

Nas cidades, as superfícies impermeáveis encaminham a água da chuva para os riachos mais rapidamente do que as paisagens naturais. Por isso, reduzir o risco de cheias já é valioso por si só, independentemente do efeito na composição da água.

Necessidade de testes detalhados de qualidade da água

Apesar de reconhecerem utilidade em algumas partes do protocolo, os investigadores deixam claro o que o SVAP não consegue fazer sozinho.

“No entanto, a principal conclusão aqui é que - por mais útil que o SVAP possa ser - continuamos a precisar de testes de qualidade da água para obter uma avaliação precisa da saúde real dos riachos”, disse McKenney.

Esta diferença é importante para orientar a forma como gestores de recursos e comunidades encaram a monitorização de riachos no futuro.

Uma avaliação visual rápida pode continuar a servir para identificar riachos que merecem restauro, sobretudo onde existam margens a erodir ou vegetação degradada.

Mas uma simples caminhada pela margem não chega para determinar se um riacho é seguro.

Para saber se o ecossistema consegue suportar vida aquática ou se representa um risco para comunidades próximas, são necessárias análises mais completas. Para obter respostas fiáveis, é indispensável colocar instrumentos na água e medir o que não se vê.

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