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Centième de Mylène Niedzialkowski: o regresso da luz poética

Pessoa a acender candeeiro de mesa com flor branca, sala com sofás e mesa de madeira com livros abertos.

Muitas tendências de decoração aparecem e desaparecem, mas há peças que ficam gravadas na memória. É isso que acontece com as luminárias delicadas, de aspeto floral, que fãs de interiores conhecem há anos de revistas e do Instagram. Por trás destas criações está a francesa Mylène Niedzialkowski, que, com a marca Georges, deu forma a candeeiros de teto têxteis que se tornaram icónicos. Agora, regressa com um novo selo chamado Centième - e leva ainda mais longe a sua visão de luz poética feita à mão.

De uma ideia a uma luminária de culto

Como flores têxteis conquistaram a cena

No mundo do design de interiores, não é comum um candeeiro ser imediatamente reconhecível e, ao mesmo tempo, manter um carácter artesanal. Niedzialkowski conseguiu esse equilíbrio. As suas peças em tecido evocam pétalas suspensas ou nuvens gráficas, que parecem desenhar o espaço em vez de apenas o iluminar.

Ao longo de cerca de 15 anos, na Georges, foi desenvolvendo luminárias que surgiam sobretudo em casas com ambições de “slow living”: menos consumo, mais intenção, mais trabalho manual. Cada peça tinha presença de pequena escultura - não um foco técnico, mas um objeto leve, flutuante, capaz de criar sombras e tornar o ambiente mais suave.

“As luminárias de Mylène Niedzialkowski funcionam como esculturas de luz: moldam a atmosfera, não apenas a luminosidade.”

Em vez de produção em série anónima, o processo assentava na mão: tecidos tingidos, dobrados e tensionados. O êxito não dependia de um branding chamativo, mas de uma assinatura visual instantânea - quem já tinha visto uma destas luminárias quase sem peso sobre uma mesa de jantar passava a reconhecê-la em qualquer lugar.

Um olhar para o ínfimo: o conceito por detrás de “Centième”

Com a Centième, a designer retoma exatamente esse ponto - só que com ainda mais rigor. O nome remete para a medida mínima, para o centésimo, para detalhes que no quotidiano quase passam despercebidos. É essa micro-perspetiva que orienta o desenho.

Durante anos, reuniu esboços, amostras de cor e protótipos. A Centième não é um recomeço impulsivo: resulta de um processo longo de maturação. Cor, material e forma são trabalhados como num laboratório, até a proporção ficar certa.

O objetivo mantém-se: ligar gestos tradicionais a um design contemporâneo e depurado. Não se trata de artesanato nostálgico destinado a apanhar pó numa prateleira, mas de objetos para viver - pensados para interiores atuais, sem perderem a alma feita à mão.

A nova marca: poesia familiar, novo capítulo

Clássicos reconhecíveis, com novas ideias

A Centième está oficialmente ativa desde o verão de 2025, embora soe a continuação natural do percurso anterior. Para quem acompanhava as coleções antigas, há boas notícias: as célebres suspensões de inspiração floral - conhecidas como Pale - voltam a aparecer no novo portefólio.

Mantêm-se as características centrais: superfícies amplas e suavemente curvas, acabamento têxtil e uma luz difusa, macia. Para quem está habituado a uma lâmpada exposta, o contraste é evidente: aqui, a luz surge mais filtrada, quase como se passasse por um véu fino.

Ao mesmo tempo, a nova estrutura dá espaço para ampliar a linguagem. A marca funciona como laboratório para explorar outras formas, dimensões e usos. O universo que rodeia a luz cresce - com pequenas luminárias de mesa, objetos de parede e têxteis.

Materiais que parecem calma - e também a transmitem

A seleção consciente de materiais continua a ser um ponto-chave. A Centième segue uma lógica “slow”: melhor ter poucas peças, mas de elevada qualidade e pensadas para durar. Plásticos desnecessários ou componentes de substituição que desaparecem do mercado pouco tempo depois - tudo isso é algo que a designer procura evitar.

Além das luminárias, o sortido inclui agora almofadas feitas à mão e pequenos objetos de casa que prolongam o tema da luz. O fio condutor é claro: texturas naturais, superfícies mate e uma paleta contida. Em vez de cores de tendência estridentes, dominam tons entre areia, sálvia, cinzento nevoeiro e terracota quente.

  • Matérias-primas como metal, madeira ou tecidos naturais são valorizadas e refinadas, não ocultadas.
  • As cores nascem de muitos subtis intermédios, não de uma carta de cores padronizada.
  • Cada aresta visível e cada costura evidencia que houve uma mão real envolvida.

O resultado são peças que não servem apenas para “ficar bem” na estante: ajudam a abrandar o ritmo do dia a dia. Funcionam como pequenos pontos de repouso no espaço, sobretudo nos meses longos de inverno, quando se passa mais tempo em casa.

Como estas luminárias alteram a perceção de um espaço

Atmosfera sem obras: pouco gesto, grande efeito

O atrativo da Centième está na forma como exige tão pouco para se sentir a diferença. Basta uma suspensão de grande formato sobre a mesa de jantar para um espaço mais sóbrio ganhar outra leitura. A luz espalha-se com mais suavidade, as sombras desenham padrões nas paredes e o teto parece mais alto.

Mesmo intervenções menores - uma almofada marcante no sofá, uma luminária delicada na parede sobre a mesa de cabeceira - conseguem tornar acolhedora uma decoração antes neutra. Em apartamentos antigos com tetos altos ou em construções recentes com superfícies muito lisas, este tipo de objetos revela-se especialmente eficaz.

“Quem quer mudar atmosferas não tem de começar por deitar paredes abaixo - muitas vezes, basta um candeeiro bem colocado.”

Em paralelo, há um outro fator em jogo: o desejo de consumir de forma mais consciente. Em vez de trocar o interior inteiro a cada dois anos, a Centième aposta em peças duradouras. Comprar assim não só reduz o impacto em recursos, como permite construir, com o tempo, uma coleção pessoal que acompanha qualquer mudança de casa.

Um desenho que resiste às tendências

Há referências ao espírito do tempo em cada coleção, mas o núcleo mantém-se intemporal. As formas são contidas, quase gráficas, e ainda assim suficientemente suaves para não parecerem frias. Por isso, estas luminárias encaixam em contextos muito diferentes:

  • Casa de campo com vigas de madeira e soalho
  • Loft urbano com pavimento em betão e grandes janelas
  • Apartamento antigo com estuque e portas originais
  • Construção nova minimalista com paredes lisas

Quem investe numa peça destas não está a comprar para uma estação. Os objetos podem mudar de leitura conforme o espaço onde ficam, os móveis à volta ou a cor das paredes que os enquadra. Assim, a Centième alinha-se com a ideia de “menos, mas melhor” - em vez de excessos decorativos de vida curta.

O que significam expressões como “slow décoration” e “luz poética”

Slow living na sala: mais atitude do que estilo

A expressão “slow décoration” aparece cada vez mais em revistas de interiores. O que descreve é uma abordagem que se afasta claramente da lógica da fast fashion. Em vez de artigos baratos e massificados, rapidamente substituídos, o foco passa para poucas peças, escolhidas com cuidado.

Isto inclui:

Abordagem Traço típico
Comprar menos Procurar durante mais tempo, até encontrar um objeto que “encaixe”
Escolher melhor Materiais que podem envelhecer com dignidade, em vez de quebrar depressa
Usar com consciência Reparar, cuidar e passar adiante, em vez de deitar fora

A Centième liga-se exatamente a esse princípio: os produtos custam mais do que uma compra por impulso numa grande cadeia de mobiliário, mas foram pensados para acompanhar décadas, não meses. Quem decora assim vê a casa mais como um projeto de longo prazo do que como uma obra permanente.

Dicas práticas para uma iluminação com identidade

Para levar a ideia por detrás da Centième para dentro de casa, há algumas regras simples - mesmo sem comprar esta marca em específico:

  • Se possível, colocar abat-jours grandes em tecido mais para o centro do espaço, e não encostados ao teto.
  • Optar por temperaturas de cor quentes, sobretudo na sala e nos quartos.
  • Em vez de uma única luz de teto intensa, combinar várias fontes de luz mais pequenas.
  • Escolher materiais que reflitam ou filtrem a luz: tecido, papel, vidro mate.
  • Destacar intencionalmente objetos de que se gosta - um quadro, uma planta - com luz direcionada.

Desta forma, o efeito aproxima-se: os espaços deixam de ser apenas visíveis e passam a ser sensíveis. A luz cria zonas - para ler, para comer, para desligar. É precisamente isso que as luminárias poéticas de Mylène Niedzialkowski procuram: não só mostrar o espaço, mas transformá-lo de forma perceptível.

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