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Como forçar o ruibarbo no escuro para colher mais cedo

Pessoa a transplantar planta de acelga vermelha num vaso de barro num jardim com cesta de verga ao lado.

Com um truque simples vindo da horta, é possível colher ruibarbo bem mais cedo - e com talos mais tenros e mais doces do que o habitual.

Muitos jardineiros amadores aceitam que o ruibarbo só aparece no prato na primavera. No entanto, com uma pequena ajuda dá para antecipar bastante a época e, ao mesmo tempo, melhorar de forma clara a qualidade dos talos. O segredo está numa técnica antiga, hoje quase esquecida: forçar o ruibarbo no escuro.

Porquê forçar o ruibarbo? Vantagens num relance

No nosso clima, o ruibarbo normalmente arranca a sério a partir de abril. Pode ser colhido até junho; depois disso, os níveis de ácido oxálico aumentam muito - e os talos passam a ser considerados pouco adequados para consumo. Ao forçar a planta, consegue-se puxar o início da colheita para mais cedo.

"O ruibarbo forçado dá talos muito precoces, compridos, tenros e suaves - ótimo para cozinhar e também para a apresentação."

Quem deixa o ruibarbo crescer propositadamente no escuro refere, quase sempre, os mesmos resultados:

  • Colheita mais cedo: consoante o tempo, duas a quatro semanas antes da época normal.
  • Sabor mais suave: menos acidez e bastante menos amargor.
  • Textura mais tenra: praticamente sem fibras; fica mais fácil de preparar.
  • Cor apelativa: talos em tons de rosa vivo a pink, muito decorativos em sobremesas.
  • Época de consumo mais longa: ao começar mais cedo, no conjunto acaba por colher durante mais tempo.

Sobretudo quem gosta de fazer tartes, crumble, compota ou doce beneficia muito destes talos mais suaves. Há quem diga que o ruibarbo forçado sabe quase mais a uma fruta delicada do que ao “clássico” vegetal.

Como funciona forçar o ruibarbo

A técnica parece demasiado simples para ser verdade: durante algumas semanas, o ruibarbo é colocado em escuridão total. Assim, a planta recorre às reservas internas e empurra para cima talos longos e claros.

O truque da escuridão

Em condições normais, o ruibarbo produz energia através das folhas com ajuda da luz - um processo chamado fotossíntese. Quando a planta é tapada, essa fonte de energia desaparece de um momento para o outro.

Perante isso, o ruibarbo reage tentando chegar à luz o mais depressa possível. Para o conseguir, usa os nutrientes guardados no rizoma - o “toco” de raiz com aspeto de tubérculo - e alonga os talos. O resultado são rebentos compridos e tenros, com pouco desenvolvimento de verde.

"Ao forçar, o ruibarbo é obrigado a viver das raízes - e a energia vai diretamente para os talos."

Como, no escuro, as folhas quase não produzem clorofila, os talos ficam mais claros e muitas vezes num rosa muito intenso. Ao mesmo tempo, acumulam-se menos ácidos e compostos amargos. É precisamente por isso que o ruibarbo forçado sabe mais suave e pica muito menos na língua.

Que cobertura serve para forçar?

Na horta tradicional usavam-se campânulas de ruibarbo: coberturas altas de barro, com uma pequena tampa no topo. Se conseguir arranjar uma, pode usá-la - mas não é indispensável.

Recipientes adequados que tem em casa

Qualquer recipiente escuro e suficientemente alto para cobrir o rebentamento pode servir, por exemplo:

  • vaso grande de barro, virado ao contrário
  • balde preto ou recipiente de massa/argamassa
  • balde metálico sem furos
  • mini-barril de chuva ou bidão de plástico resistente
  • contentor de compostagem antigo, desde que seja opaco

O ponto essencial é que não existam fendas por onde entre muita luz. Um pequeno orifício no topo para ventilação não causa problemas; já rachas laterais grandes prejudicam bastante. Se tiver dúvidas, pode ainda escurecer o recipiente por fora com um saco ou uma lona.

Há um efeito extra útil: uma cobertura pesada retém algum calor e cria um microclima mais ameno à volta da planta. Isso ajuda a acelerar o arranque dos rebentos, sobretudo no fim do inverno.

O momento certo para forçar

O timing faz toda a diferença para o ruibarbo aguentar bem o processo. A fase ideal é a transição do inverno para a primavera.

Quando colocar a campânula sobre o tufo?

Como regra prática: do fim do inverno ao início muito precoce da primavera - muitas vezes entre o final de fevereiro e meados de março, dependendo da zona. O solo já não deve estar profundamente gelado; a planta ainda está em repouso ou a começar a despertar.

Sinais de que está na altura certa:

  • os talos velhos e secos do ano anterior já foram removidos
  • começam a surgir do solo pequenos gomos avermelhados ou mini rosetas de folhas
  • a previsão a médio prazo já não aponta para vários dias seguidos de geada intensa

Se colocar a cobertura muito mais tarde, quando as folhas já estão grandes, o tufo sofre bem mais, porque de repente fica sem luz.

Guia passo a passo: como forçar o ruibarbo corretamente

  1. Preparar o local: retirar folhas velhas e talos mortos do ano anterior; soltar ligeiramente a terra à volta da planta.
  2. Dar nutrientes: colocar uma camada de estrume bem curtido ou composto em redor do rizoma, sem tapar o “coração” da planta.
  3. Manter o calor: cobrir com uma camada espessa de mulch, por exemplo folhas secas ou palha.
  4. Colocar o recipiente: tapar todo o tufo com um vaso/balde opaco; pressionar bem as bordas no solo.
  5. Deixar descansar: manter a planta tapada cerca de três a cinco semanas; evite levantar a cobertura a toda a hora.
  6. Colher: quando os talos tiverem cerca de 20 a 30 centímetros, levantar a cobertura com cuidado e soltar os talos puxando pela base.
  7. Retirar a cobertura: depois da colheita, remover o recipiente por completo para que novas folhas cresçam normalmente.

"Use a ajuda de forçagem apenas por um período limitado - depois disso o ruibarbo precisa de luz para voltar a repor as reservas."

Não mantenha a planta no escuro durante toda a época. O tufo ficaria demasiado esgotado; no ano seguinte, a colheita seria fraca - ou a planta pode mesmo deixar de vingar.

O que deve ter em conta com ruibarbo forçado

Uma colheita tão cedo e tão intensa exige esforço da planta. Algumas regras simples ajudam a manter o ruibarbo saudável a longo prazo.

Quanto é que se pode colher?

Colha apenas uma parte dos talos e deixe sempre alguns rebentos no tufo. Depois do período no escuro, o ideal é que a planta passe o resto da estação a crescer sem interrupções. Em muitos jardins, um tufo vigoroso só é forçado de dois em dois anos, para ter uma “pausa” de recuperação.

Se tiver várias plantas, pode alternar: todos os anos força um tufo diferente e deixa os restantes crescerem de forma normal.

Ácido oxálico e saúde

Mesmo o ruibarbo forçado contém ácido oxálico, embora no início da época a carga seja, regra geral, mais baixa. À medida que o verão avança, esse teor aumenta. Por isso, o ruibarbo não é indicado para pessoas com forte tendência para pedras nos rins ou com problemas marcados relacionados com oxalatos.

Algumas regras úteis:

  • Descascar sempre os talos e retirar generosamente as bases onde estiveram ligadas às folhas.
  • Nunca comer as folhas: têm níveis muito elevados de ácido oxálico.
  • Depois de junho, é preferível deixar o ruibarbo em paz para a planta recuperar forças.

O que cozinhar com ruibarbo forçado

Quem já cozinhou com ruibarbo forçado nota a diferença logo à primeira. Os talos desfazem-se mais depressa, o sabor é mais delicado e dá para ajustar as quantidades com muito mais precisão.

Algumas utilizações populares:

  • tarte de ruibarbo com merengue, sem ficar demasiado ácida
  • compotas bem cremosas que pedem menos açúcar
  • doce de ruibarbo com morango ou framboesa
  • chutneys finos para acompanhar queijo ou carne grelhada
  • xarope e sumos com água com gás com um aroma leve a ruibarbo

Como as fibras são mais macias, o ruibarbo forçado também funciona em sobremesas em copo, onde entram pedaços crus ou apenas ligeiramente cozinhados. Aqui, a menor acidez mostra mesmo tudo o que vale.

Erros frequentes ao forçar - e como evitá-los

Quem experimenta pela primeira vez costuma cair em alguns erros típicos. Há três pontos que aparecem repetidamente em fóruns de jardinagem:

  • Luz a mais: um recipiente transparente ou rachado reduz o efeito; os talos ficam mais curtos e mais verdes.
  • Forçar durante demasiado tempo: se a cobertura ficar muitas semanas além do previsto, o tufo enfraquece bastante.
  • Solo demasiado húmido: sob bidões de plástico pouco ventilados, a humidade acumula-se facilmente com a chuva; aumenta o risco de apodrecimento e de ataque de lesmas.

Se tiver estes aspetos sob controlo, normalmente obtém bons resultados logo no primeiro ano. No geral, o ruibarbo é uma planta robusta e costuma perdoar pequenos deslizes.

Porque é que forçar compensa especialmente em jardins pequenos

Em muitos jardins urbanos e até em varandas, há espaço apenas para um único tufo de ruibarbo. Se esse tufo produzir mais cedo, a área rende a dobrar. E o trabalho é mínimo: um recipiente, algum mulch e um pouco de paciência.

Além disso, a técnica traz um bónus interessante: ao acompanhar tão de perto o crescimento, ganha-se um melhor sentido de ritmo e das necessidades do jardim. É precisamente esta observação e vontade de experimentar que dá mais prazer a muitos jardineiros amadores - e a tarte de ruibarbo precoce acaba por ser a recompensa mais saborosa.


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