Hormonas, stress e falta de sono - tudo isto pode alterar visivelmente o cabelo depois dos 50. Mas, em vez de aceitar comprimentos sem vida e riscas cada vez mais largas, as cabeleireiras profissionais apostam numa forma de corte muito específica e em poucos gestos certeiros. O resultado é um cabelo com aspeto mais denso, mais dinâmico e mais jovem - sem uma mudança radical de visual.
O que a menopausa pode fazer ao cabelo
Muitas mulheres notam primeiro a risca a alargar, um styling sem força e fios que parecem mais finos ao toque. Há uma razão biológica clara para isso. Com a menopausa, os níveis de estrogénio e progesterona descem, enquanto as hormonas masculinas ganham influência relativa.
Como consequência, o ciclo de crescimento do cabelo encurta. O fio passa menos tempo na fase de crescimento e, muitas vezes, já emerge do couro cabeludo com menor espessura. Dermatologistas referem ainda que o quadro costuma ser agravado por outros fatores:
- défice de ferro devido à alimentação ou a hemorragias intensas nos anos anteriores
- stress prolongado no trabalho ou na família
- sono insuficiente ou de má qualidade
- determinados medicamentos ou doenças pré-existentes
Neste contexto, pode desenvolver-se a chamada rarefação androgenética: não é aquele “tufo de cabelo” típico na escova, mas sim uma perda lenta e progressiva de densidade no topo da cabeça.
"O cabelo a afinar durante a menopausa não é um fracasso pessoal, mas uma reação hormonal - e, ainda assim, pode ser bastante disfarçada do ponto de vista visual."
A forma de corte que ajuda quase qualquer cabelo a afinar
Cabeleireiras de referência, que veem regularmente mulheres a partir dos 45 no salão, recorrem quase sempre a uma versão atualizada de um clássico: o bob. Em Portugal é frequentemente chamado de bob ou corte bob e pode variar entre a altura do queixo e pouco acima dos ombros.
Porque é que os cabelos muito compridos passam a ser um problema
Quando o cabelo é muito comprido, o peso puxa pela raiz. Isso rouba volume na zona do crescimento, deixa as pontas com aspeto mais “espigado” e pode fazer o rosto parecer mais cansado. Em fios finos, falta a “estrutura” necessária para sustentar comprimentos abaixo do peito com bom aspeto.
Por outro lado, um corte pixie muito curto pode ser delicado em mulheres com rarefação inicial no topo: quando já há pouca densidade, torna-se difícil criar um formato com movimento e corpo.
Bob com personalidade em vez de um curto radical
O segredo está numa linha compacta e bem definida, com mais “peso” concentrado na parte superior. As profissionais costumam recomendar:
- Comprimento: entre o queixo e os ombros, com degradação suave
- Nuca: mais livre, mas sem rapar - assim a parte de trás da cabeça parece mais arredondada
- Topo: manter mais massa de cabelo para construir volume
- Contorno: linhas macias que emolduram e “levantam” visualmente o rosto
Desta forma, cria-se um corte que dá a ilusão de maior densidade sem parecer artificial. Uma opção especialmente favorecedora é um bob ligeiramente assimétrico: um pouco mais comprido à frente e mais compacto atrás. Isso acrescenta dinamismo e desvia a atenção de uma risca mais rala.
Porque a tesoura é decisiva: piquetagem em vez de desbastar
Muitas mulheres lembram-se do que era comum nos anos 90: desbastar as pontas com uma tesoura própria para deixar o cabelo mais leve e “arejado”. Em cabelo já fino, porém, isso tende a ser um erro.
Com desbaste excessivo, a pouca substância que existe desaparece. A raiz perde sustentação mais depressa e as pontas ficam com um aspeto ralo e sem vida.
A técnica profissional: pequenos cortes para mais movimento
Por isso, cabeleireiras de celebridades preferem outra abordagem: a piquetagem. A tesoura faz apenas pequenos cortes pontuais nas pontas e em alguns comprimentos. Assim, ganha-se textura e movimento, sem retirar grandes quantidades de cabelo.
"As pontas piquetadas refletem a luz de outra forma; o cabelo parece mais vivo e cheio - embora se perca muito pouca substância."
Quem está no salão pode (e deve) perguntar que técnica vai ser usada. Um pedido claro como “por favor, não desbaste muito; prefiro pequenos cortes pontuais” ajuda a evitar mal-entendidos.
Três rotinas simples que dão mais volume de imediato
Para lá do corte, há três hábitos diários que influenciam bastante o aspeto do cabelo. Parecem pequenos, mas, em conjunto, constroem um resultado visivelmente mais cheio.
1. Criar volume logo na secagem
Há quem seque o cabelo de cabeça para baixo e deixe o secador “andar”. Em fios finos, isso raramente chega. As profissionais sugerem:
- secar ligeiramente até o cabelo ficar apenas húmido
- usar os dedos como um pequeno pente na raiz
- puxar as madeixas para cima, a partir da raiz, e só depois secar
- evitar soprar ao acaso; levantar madeixa a madeixa de forma intencional
Assim, cada zona fica “treinada” a ganhar elevação na raiz. Quem quiser pode terminar com um jato curto de ar frio nessa área, para fixar melhor a forma e o movimento.
2. Ondas em vez de comprimentos totalmente lisos
Um visual com ondas suaves - não caracóis apertados, mas ondas maiores e macias - faz o cabelo a afinar parecer muito mais cheio. Como fazer:
- aplicar um spray de proteção térmica
- criar uma ondulação leve com modelador ou prancha, mantendo as pontas mais direitas
- depois de arrefecer, escovar as ondas (em vez de apenas as separar com os dedos)
Ao escovar, as ondas fundem-se numa estrutura mais uniforme e sedosa. É precisamente esse “balanço fluido” que cria a ilusão de haver mais cabelo.
3. Produtos que realmente trazem leveza
O que está escrito no rótulo nem sempre se confirma no espelho. Em cabelo fino na menopausa, compensa escolher com mais critério:
| Adequado | Melhor evitar |
|---|---|
| champôs leves sem silicones que pesem | fórmulas ricas e muito carregadas em silicones |
| amaciador só nos comprimentos, não na raiz | máscaras puxadas até ao couro cabeludo |
| spray ou espuma de volume aplicado diretamente na raiz | óleos e ceras na zona da raiz |
Quando se exagera na nutrição, o cabelo fica “abatido”. Aqui, menos é mais: é preferível uma pequena quantidade de um produto leve do que várias camadas de diferentes fórmulas.
Quando vale a pena marcar consulta com a dermatologista
Os truques visuais têm limites. Se a quantidade de cabelo a cair ultrapassar claramente o que é considerado normal - cerca de 50 a 60 fios por dia - ou se surgirem de repente zonas redondas sem cabelo, é importante avaliar do ponto de vista médico.
Sinais de alerta possíveis:
- a risca alarga de forma evidente em poucos meses
- ao prender o cabelo, o rabo-de-cavalo fica reduzido a um feixe muito fino
- o couro cabeludo fica tenso, com comichão ou avermelhado
A dermatologista pode confirmar se, além da menopausa, existe também uma alteração da tiroide, um défice nutricional significativo, uma reação autoimune ou uma componente genética. Quanto mais cedo começar um tratamento direcionado, maiores são as hipóteses de estabilizar as raízes.
O que as mulheres ainda podem fazer por conta própria
Para além do corte e do styling, o estilo de vida conta. O cabelo reage devagar, mas de forma clara, ao equilíbrio interno do corpo. Algumas estratégias que muitas pessoas consideram úteis:
- alimentação rica em proteína, com ferro, zinco e vitaminas do complexo B em quantidades suficientes
- atividade física regular para reduzir hormonas associadas ao stress
- pausas conscientes e rituais de sono numa fase cheia de mudanças
- massagens suaves no couro cabeludo com as pontas dos dedos para estimular a circulação
Quem pondera suplementos deve falar primeiro com a médica de família ou com a ginecologista. Nem todos os produtos são adequados para todas as doenças prévias ou para quem toma medicação.
O afinamento do cabelo na menopausa continua a ser um tema sensível para muitas mulheres. Ainda assim, com um bob bem pensado, uma técnica de corte mais inteligente e três hábitos de styling aplicados com consistência, é possível virar o jogo - de “mole e cansado” para “vivo e cuidado”. Por vezes, basta o primeiro olhar ao espelho após o novo corte para voltar a sentir-se mais parecida consigo mesma.
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