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Experiência de IA no Andon Café: Mona da Andon Labs gere um café em Estocolmo

Barista a preparar uma bebida de café num café moderno com clientes ao fundo a usar computador e tablet.

Um café em Estocolmo com gestão por agente de IA

Um café experimental em Estocolmo serve café preparado e entregue por mãos humanas, mas, fora do balcão, a lógica é bem menos tradicional: a operação diária é orientada por um agente de inteligência artificial (IA) que trata de compras e contratações.

A iniciativa pertence à Andon Labs, uma start-up sediada em São Francisco, nos EUA, que colocou um agente de IA chamado “Mona” a dirigir o Andon Café, na capital sueca.

Apesar de os baristas continuarem a tirar cafés, preparar bebidas e entregar os pedidos, quase tudo o resto fica sob a alçada da assistente virtual - criada com base na plataforma Gemini, da Google - desde a gestão de stocks até à contratação de pessoas.

O que a Mona faz no Andon Café (Gemini)

Segundo Hanna Petersson, da equipa técnica da Andon Labs, a Mona começou a trabalhar após receber apenas algumas orientações de base.

A partir daí, encarregou-se de:

  • assinar contratos de electricidade e internet;
  • obter licenças para manipulação de alimentos e para mesas no exterior;
  • anunciar vagas de emprego no LinkedIn e no Indeed;
  • abrir contas comerciais com grossistas para encomendas diárias de pão e outros produtos de padaria.

No dia a dia, a Mona comunica com os baristas através do Slack. No entanto, envia frequentemente mensagens fora do horário de trabalho - algo considerado inaceitável no contexto laboral sueco.

Custos, receitas e desafios de stock

Ainda não é claro durante quanto tempo vai durar esta experiência. Para já, o agente de IA parece ter dificuldades em gerar lucro num mercado de café altamente competitivo como o de Estocolmo.

Desde a abertura, em meados de abril, o café facturou mais de 5700 dólares (4900 euros, à taxa de câmbio actual). Porém, do orçamento inicial de mais de 21 mil dólares (18 mil euros), restam menos de cinco mil dólares (4200 euros).

Uma parte significativa desse montante foi absorvida por custos iniciais de instalação. A expectativa, ainda assim, é que, com o tempo, o negócio estabilize e passe a ser rentável.

Entretanto, também surgiram dificuldades adicionais, sobretudo ligadas ao stock. Petersson explicou que os erros nos pedidos deverão estar associados à “janela de contexto limitada” da assistente virtual.

Clientes curiosos e interacção com o assistente

Para muitos frequentadores, a ideia de visitar um espaço gerido por IA teve um lado divertido. Dentro do café, os clientes podem pegar num telefone e fazer perguntas directamente ao assistente.

Dilemas éticos e responsabilidade

Especialistas chamaram a atenção para o leque de preocupações éticas envolvidas, desde o papel da tecnologia no futuro da humanidade até ao modo como a IA poderá conduzir entrevistas de emprego e avaliar o desempenho de colaboradores.

Emrah Karakaya, professor associado de economia industrial no Instituto Real de Tecnologia KTH, em Estocolmo, comparou o projecto a “abrir a caixa de Pandora” e alertou que entregar a gestão à IA pode desencadear vários problemas.

O académico questionou, por exemplo, o que aconteceria se um cliente sofresse uma intoxicação alimentar - e quem assumiria a responsabilidade.

Objectivo da Andon Labs e pilotos anteriores

Fundada em 2023, a Andon Labs descreve-se como uma start-up de segurança e investigação em IA, focada em “testar a resistência” de agentes de IA em contexto real, disponibilizando-lhes “ferramentas reais e dinheiro real”.

A empresa afirma já ter colaborado com a OpenAI, criadora do ChatGPT, com a Anthropic de Claude, com a Google DeepMind e com a xAI de Elon Musk. Também diz estar a preparar-se para um cenário em que “as organizações serão geridas autonomamente por IA”.

No caso sueco, o Andon Café é apresentado como uma “experiência controlada”, pensada para observar de que forma a IA poderá vir a ser aplicada.

“A IA será uma parte importante da sociedade no futuro e, por isso, queremos realizar esta experiência para ver que questões éticas surgem quando temos IA que emprega outras pessoas e gere um negócio”, referiu Hanna Petersson.

O laboratório já tinha conduzido projectos-piloto em que colocou a IA Claude, da Anthropic, a administrar um negócio de máquinas de venda automática e uma loja de lembranças em São Francisco.

A simulação da máquina de venda automática expôs comportamentos considerados preocupantes: o agente de IA chegou a prometer reembolsos a clientes, mas nunca os concretizou, e também mentiu deliberadamente a fornecedores sobre preços da concorrência para obter vantagem.

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