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Sálvia e manjericão: como atrair sabiás, beija-flores e tico-ticos ao jardim

Dois beija-flores próximos a uma planta em vaso, um voando e o outro pousado, em jardim iluminado.

Sabiás, beija-flores e tico-ticos tornam-se mais comuns em jardins que lhes dão alimento, abrigo e um movimento natural de insectos. Há duas ervas que ajudam muito a criar esta combinação: sálvia e manjericão. A primeira oferece flores com muito néctar para os beija-flores; a segunda chama polinizadores, pequenos insectos e sementes, aumentando a actividade à volta dos canteiros.

Por que sálvia e manjericão atraem tantos pássaros?

A sálvia forma flores tubulares, muitas vezes em tons de vermelho, rosa, roxo ou lilás - um formato que facilita a visita dos beija-flores. Como estas aves procuram néctar em flores bem visíveis e fáceis de alcançar com o bico, a planta acaba por funcionar como uma paragem regular no jardim.

O manjericão actua de forma diferente. Ao florescer, atrai abelhas, borboletas e outros insectos pequenos, que animam o canteiro e acabam por servir de alimento indirecto para sabiás e tico-ticos. Quando algumas hastes completam o ciclo e amadurecem, as sementes também passam a interessar a aves que se deslocam junto ao chão.

O que cada erva oferece para sabiás, beija-flores e tico-ticos?

Os beija-flores procuram sobretudo néctar, por isso costumam visitar mais a sálvia quando está em flor. Já os sabiás são atraídos por jardins com insectos, minhocas, frutos e locais de pouso; nesse sentido, o manjericão ajuda ao aumentar a presença de pequenos invertebrados nas imediações das plantas.

Os tico-ticos tiram bom partido de canteiros com sementes, solo exposto e insectos no chão. Para servir os três grupos, o jardim deve funcionar por camadas:

  • Sálvia em flor para disponibilizar néctar aos beija-flores.
  • Manjericão em floração para chamar insectos polinizadores.
  • Algumas hastes com sementes para favorecer tico-ticos.
  • Solo vivo, com folhas secas e poucos químicos, para atrair alimento para os sabiás.

Onde plantar essas ervas no jardim?

A sálvia deve ser colocada em zonas com boa exposição solar, perto de bordaduras, muros baixos, vasos altos ou caminhos onde os beija-flores consigam aproximar-se e sair rapidamente. Convém não a deixar escondida atrás de plantas muito densas, porque as flores precisam de ficar à vista.

O manjericão resulta melhor em canteiros soalheiros, perto da horta, de pequenas árvores de fruto ou de vasos com outras ervas. Para beneficiar sabiás e tico-ticos, é preferível manter a envolvente menos “esterilizada”: alguma terra visível, folhas secas e plantas com alturas diferentes criam mais hipóteses de procura de alimento.

Como cuidar para manter visitas frequentes?

Sálvia e manjericão pedem sol, rega moderada e podas ligeiras. A diferença está no propósito: na sálvia, interessa incentivar a floração; no manjericão, vale a pena permitir que algumas hastes floresçam, em vez de cortar tudo apenas para uso culinário.

Alguns cuidados reforçam o efeito no jardim:

  • Plantar a sálvia em grupos, e não como um único pé isolado.
  • Deixar parte do manjericão florir e formar sementes.
  • Evitar insecticidas, porque reduzem o alimento disponível para sabiás e tico-ticos.
  • Manter um recipiente baixo com água limpa num local seguro.
  • Fazer podas alternadas, para que exista sempre alguma flor ou rebento disponível.

Como posicionar as ervas para transformar o jardim em ponto de parada?

O desenho mais eficaz passa por colocar a sálvia nas áreas mais visíveis e soalheiras, para que os beija-flores encontrem as flores sem terem de entrar em folhagem demasiado fechada. O manjericão pode ficar mais perto dos canteiros baixos, atraindo insectos e deixando sementes ao alcance das aves que caminham no solo.

Quando estas duas ervas trabalham em conjunto, o jardim deixa de oferecer apenas aroma e tempero. Passa a disponibilizar néctar, insectos, sementes, sombra baixa e pontos de pouso - exactamente os sinais que ajudam sabiás, beija-flores e tico-ticos a reconhecer aquele espaço como um lugar seguro, ao qual vale a pena regressar com frequência.

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