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Cortes de cabelo depois dos 70 com óculos: 4 opções que rejuvenescem

Mulher sorridente no cabeleireiro a ser penteada, com espelho à frente e acessórios sobre a mesa.

O salão do cabeleireiro já fervilhava quando a Anne entrou, empurrando os óculos para cima do nariz com um gesto pequeno e resignado. Tinha setenta e dois anos, o cabelo prateado preso num carrapito baixo - “porque sempre foi assim que fiz”, como dizia. Olhou para o espelho e depois para as mulheres à sua volta - umas com cortes curtos e definidos, outras com ondas suaves - e deixou escapar um suspiro. “Óculos e rugas… é muita coisa para uma cara”, brincou, a meio caminho entre o riso e a ferida.

A cabeleireira aproximou-se, inclinou a cabeça e respondeu sem dramatizar: “Não vamos esconder a sua idade. Vamos é realçar os seus olhos.”

Vinte minutos depois, com um corte leve em camadas a tocar nos malares, a Anne pestanejou por trás das armações. O rosto parecia mais levantado, mais leve, mais desperto.

Não parecia mais nova por ter escondido alguma coisa. Parecia mais nova porque, finalmente, o cabelo tinha aprendido a conversar com os óculos.

A aliança secreta: corte de cabelo + óculos = lifting imediato do rosto

A primeira coisa que muitos profissionais dizem quando uma mulher com mais de 70 se senta na cadeira com óculos costuma ser sempre parecida: “Deixe-me vê-la sem mexer.” Observam como a armação assenta no nariz, onde as hastes atravessam as laterais do rosto, e de que forma as lentes desenham o olhar. Só depois olham para o cabelo. Seja curto ou comprido, liso ou com volume, raramente é apenas uma questão de moda. É uma questão de equilíbrio.

Quando o cabelo e os óculos competem, a expressão pesa e parece cansada. Quando trabalham em conjunto, tudo no rosto se eleva.

Um cabeleireiro de Paris contou-me o caso de uma cliente, 78 anos, que manteve o mesmo chanel direito durante trinta anos. Franja espessa e pesada, pontas rectas, óculos de massa tartaruga bem marcados. “Ela disse-me: ‘A minha filha diz que eu pareço severa’”, recordou o profissional, com um riso discreto. Mantiveram o comprimento ao nível do maxilar, mas abriram a franja, criaram camadas suaves junto às têmporas e desfizeram ligeiramente as pontas.

A única outra alteração? Armações um pouco mais claras e com uma linha superior arredondada. Quando a cliente regressou um mês depois, contou que desconhecidos lhe perguntavam se tinha ido de férias, porque parecia “descansada”. A mesma mulher. A mesma idade. Proporções diferentes.

É aqui que está o verdadeiro segredo dos penteados depois dos 70 com óculos: mais geometria do que tendência. O cabelo passa a ser uma moldura em torno da moldura. Um volume macio no topo distrai das pálpebras descaídas. Camadas leves à altura dos malares suavizam linhas profundas. Uma franja cortada logo acima das sobrancelhas pode “cortar” as rugas da testa, sem impedir que a luz chegue aos olhos.

Os profissionais falam muito de “peso visual”. Cabelo pesado, a cair a direito de cada lado, combinado com armações grossas, puxa o rosto para baixo. Cortes mais leves e texturizados “levantam” a expressão. Não é preciso uma mudança radical: algumas tesouradas bem colocadas podem mudar a história que o seu rosto conta.

Quatro cortes favorecedores depois dos 70 que adoram os seus óculos

A primeira aposta vencedora que muitos cabeleireiros recomendam é o chanel suave em camadas, um pouco abaixo das orelhas ou à altura do maxilar. Não é o chanel rígido e geométrico dos anos 80, mas uma versão actual, mais leve e com ar. Um corte que se mexe quando vira a cabeça e que não cria uma linha dura por baixo das armações.

Em mulheres com mais de 70, este corte revela delicadamente o pescoço, desenha o maxilar e faz com que os óculos passem a ser um acessório elegante, em vez de uma barreira. As camadas junto ao rosto podem ser ajustadas ao formato das armações: ligeiramente mais curtas perto das têmporas se as hastes forem grossas; mais compridas se os óculos forem leves e minimalistas.

A seguir surge o curto à garçonne com efeito pena. Muitas mulheres resistem por recearem ficar “masculinas”, mas, com óculos, é uma das soluções mais rejuvenescedoras. A diferença está na textura: nada de rapar ou colar ao couro cabeludo, mas sim pequenas “penas” à volta das orelhas e um pouco de altura no topo.

Imagine um curto grisalho ou branco a abraçar a cabeça, uma franja leve a roçar o topo das armações e alguns fios mais soltos a cair sobre as têmporas. O contraste com os óculos - sobretudo se forem fortes ou coloridos - cria um ar artístico e confiante. Este tipo de corte deixa os olhos e as lentes falarem, enquanto o cabelo funciona como um halo elegante, e não como uma cortina.

O terceiro corte que os profissionais costumam adorar é o corte comprido em camadas, entre o queixo e a base do pescoço. É a resposta “ainda não estou pronta para o curto, mas quero forma”. Um pouco mais comprido na nuca e quebrado por camadas que retiram peso, combina muito bem com armações maiores. E permite prender o cabelo atrás das orelhas para chamar a atenção para as têmporas e para os malares.

O quarto? Um corte médio com franja cortina e ondas leves. É especialmente indicado para quem manteve algum comprimento e usa óculos com ponte larga. A franja abre ao meio de forma suave, contornando as lentes sem as tapar. As ondas, naturais ou feitas com escova redonda, repetem as curvas das armações arredondadas e suavizam as mais angulares. Há um ponto ideal entre onde a franja termina e onde os óculos começam, e esse pequeno intervalo pode apagar dez anos da expressão.

Como falar com a sua cabeleireira (e com o seu espelho) depois dos 70

Quando se sentar em frente ao espelho, mantenha os óculos postos. Não os entregue à cabeleireira de imediato. Deixe que ela veja o conjunto. Os melhores profissionais vão pedir-lhe para virar a cabeça, sorrir, franzir o sobrolho, olhar para baixo para uma revista. Estão a ler a relação entre cabelo, pele e armação.

Uma frase simples pode desbloquear um corte muito melhor: “Quero que os meus olhos se destaquem mais do que as minhas rugas.” Isto define um objectivo claro. A partir daí, a profissional adapta um daqueles quatro cortes favorecedores - chanel suave, curto à garçonne com textura, corte comprido em camadas ou médio com franja cortina - à sua estrutura óssea e ao formato dos óculos. Pequenos acertos no ponto onde começam as camadas ou na altura em que cai a franja podem transformar por completo o resultado.

Um dos erros mais comuns depois dos 70 é agarrar-se ao comprimento “em nome da feminilidade”, quando o próprio cabelo já mudou. Cabelo mais fino e mais seco tende a colar ao rosto, sobretudo à volta dos óculos, e isso acentua sombras e olheiras. Outra armadilha: a escova tipo “capacete” que endurece tudo - cabelo, armações e expressão incluídos.

O objectivo não é cortar tudo curto; é aliviar aquilo que pesa no rosto. Isso pode significar retirar volume nas laterais, onde compete com as hastes dos óculos, e acrescentar uma altura suave no topo para alongar a silhueta na vertical. E sejamos honestas: quase ninguém faz isto todos os dias. Por isso, o corte tem de ficar bem ao secar ao ar, com o mínimo de esforço - e não apenas depois de uma hora com uma escova redonda.

“Depois dos 70, eu não corto para tendências, corto para os olhos”, explica a cabeleireira italiana Marta L., que atende dezenas de mulheres com óculos todas as semanas. “Se eu conseguir pôr os olhos a brilhar, o cabelo e as armações estão a fazer o trabalho em conjunto. O ano de nascimento deixa de importar.”

  • Peça suavidade à volta das armações: um desbaste ligeiro ou mais textura na zona onde as hastes tocam no cabelo ajuda a evitar volume a mais e linhas duras.
  • Escolha um só ponto de foco: ou óculos marcantes com um corte mais calmo, ou um corte forte com óculos mais discretos. Deixe um elemento liderar.
  • Clareie a cor junto ao rosto: algumas luzes subtis ou um tom ligeiramente mais claro na zona da franja suavizam as sombras criadas pelas armações e levantam a expressão.
  • Mantenha a franja “viva”: seja franja leve, seja franja cortina, deve mexer e ter movimento - não ficar como uma barra recta por cima dos óculos.
  • Planeie uma rotina de baixo esforço: um corte que precisa de 30 minutos de styling para funcionar com óculos não é aliado. Peça à cabeleireira para lhe mostrar uma versão de 5 minutos.

Um novo rosto, sem mudar o seu rosto

Há uma revolução silenciosa a acontecer nos salões: cada vez mais mulheres com mais de 70 chegam com fotografias de mulheres da sua idade, e não de alguém vinte anos mais nova. Já não querem fugir do espelho; querem reconhecer-se nele, só que… mais frescas. E a parceria entre cabelo e óculos tornou-se uma das ferramentas mais poderosas - e mais subestimadas - para isso.

Um chanel em camadas que levanta o maxilar, um curto à garçonne que desimpede as têmporas, um corte comprido em camadas que afina o pescoço, uma franja cortina que suaviza a testa. Nada disto apaga anos. Suaviza contornos, reequilibra volumes, traz o olhar para a frente em vez de o deixar desaparecer atrás de lentes e mechas. Todas já passámos por aquele instante em que vemos o nosso reflexo numa montra e pensamos: “Quando é que comecei a parecer tão cansada?” Um bom corte, com as armações certas, pode transformar esse momento numa pequena surpresa agradável.

Não se trata de fingir que voltou aos 50. Trata-se de usar tudo o que está no seu rosto - rugas, óculos, cabelo - como aliados, e não como adversários. E, por vezes, basta mudar a forma como a franja cai sobre as armações para revelar a mulher que sempre esteve lá, apenas à espera de melhor luz.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Equilibrar cabelo e armações Ajustar comprimento, camadas e volume à volta das têmporas, malares e testa para complementar os óculos O rosto parece mais levantado e harmonioso sem mudanças drásticas
Escolher um foco visual Ou óculos marcantes com um corte simples, ou um corte forte com armações mais suaves Evita um aspecto “carregado” e realça os olhos e a expressão
Optar por cortes suaves e texturizados Chanel suave, curto à garçonne com efeito pena, corte comprido em camadas ou médio com franja cortina Efeito rejuvenescedor imediato que funciona com o cabelo a envelhecer e com os hábitos do dia-a-dia

Perguntas frequentes:

  • Qual é o melhor corte para uma mulher de 70 anos com óculos? Os mais favorecedores tendem a ser cortes suaves e estruturados: um chanel leve em camadas, um curto à garçonne com textura, um corte comprido em camadas ou um corte médio com franja cortina. O “melhor” depende da textura do cabelo, do formato do rosto e do estilo das armações.
  • Devo usar franja se usar óculos depois dos 70? Sim, desde que seja suave e não demasiado espessa. Uma franja leve ou uma franja cortina que fique logo acima ou a tocar o topo das armações pode disfarçar linhas da testa e chamar a atenção para os olhos, sem pesar.
  • Os cortes curtos fazem mesmo parecer mais nova com óculos? Cortes mais curtos e com textura muitas vezes abrem o rosto e destacam os olhos, o que pode dar um ar mais fresco. A chave é suavidade e movimento, não um comprimento extremo.
  • Que comprimento de cabelo combina melhor com armações grandes? Armações grandes ficam muito bem com comprimentos entre o queixo e os ombros, quebrados por camadas. Cabelo demasiado comprido e liso pode “puxar” o rosto para baixo quando combinado com óculos grandes.
  • Com que frequência devo cortar o cabelo depois dos 70 para manter a forma? A cada 6 a 8 semanas é o ideal para cortes curtos a médios, sobretudo na franja e nas têmporas, onde o cabelo interage mais com as armações. Assim, o estilo mantém-se favorecedor sem exigir uma rotina complicada em casa.

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