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Maria da Graça Carvalho prepara despacho urgente ao ICNF sobre os linces ibéricos no Centro de Reprodução em Cativeiro (CNRLI) de Silves

Mulher em ambiente ao ar livre segura documento com lince-ibérico atrás, mesa com tablet, binóculos e papéis.

A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, está a ultimar um “despacho urgente” a enviar ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) com o propósito de “salvaguardar o bem‑estar dos linces ibéricos” alojados no Centro de Reprodução em Cativeiro (CNRLI) de Silves. A informação, avançada ao Expresso, surge depois de a autoridade de conservação da natureza ter anunciado que pretende internalizar a gestão do centro a partir de 1 de junho, sem que estejam asseguradas garantias quanto às competências da equipa que irá substituir a atual empresa de veterinária, que opera no local há 17 anos.

Despacho urgente para o ICNF e o CNRLI de Silves

A decisão de internalização tem sido alvo de críticas por parte de vários especialistas e de organizações ambientalistas, que avisam para os riscos de comprometer um projeto considerado bem-sucedido.

Ainda assim, a governante enfatiza que a sua margem de ação é limitada, por se tratar de uma área que cabe ao conselho diretivo do instituto público. “Estou a preparar exatamente um despacho urgente de recomendação. Não é uma ordem, é uma recomendação”, declara, lembrando que o documento não impõe, do ponto de vista jurídico, uma solução específica a este instituto público integrado na administração indireta do Estado - “apenas orienta”.

Limites da intervenção de Maria da Graça Carvalho no bem‑estar dos linces ibéricos

Neste enquadramento, Maria da Graça Carvalho reconhece que o seu papel é sobretudo político e de orientação, não de execução: não tem poder para ordenar, não estabelece o modelo de gestão nem supervisiona diretamente a decisão. O alcance da sua intervenção fica, assim, circunscrito à emissão de uma recomendação que influencia o processo a partir de um princípio - o bem‑estar dos linces - ficando a implementação e as opções concretas do lado do ICNF.

A ministra explica que a intenção é “assegurar a continuidade e qualidade do serviço prestado aos animais”. Reforça igualmente que, “seja qual for o modelo, tem que se salvaguardar o bem‑estar dos animais” e que qualquer alteração deve corresponder a “uma transição bem feita”.

Embora considere legítimo que o projeto seja internalizado - tendo sido, até aqui, assegurado por uma entidade externa -, a governante diz não acreditar que, ao longo dos 17 anos de existência do CNRL, “o ICNF não tenha acautelado uma internalização do saber”. Acrescenta ainda que a opção de gestão do centro não será revertida por via política: “Não vou interferir no modelo, é uma competência do Conselho Diretivo do ICNF”.

Reestruturação do ICNF e APA a ritmos distintos

Em paralelo, está em curso uma reorganização mais abrangente do ICNF e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), dois processos que avançam “em paralelo”, embora a velocidades diferentes, segundo a ministra. De acordo com a governante, a reestruturação da APA encontra-se numa fase mais avançada, ao passo que a do ICNF está ainda no início, em etapa de diagnóstico. A meta é “rever procedimentos administrativos, eliminar redundâncias e tornar as entidades mais eficientes na resposta”, sublinha.

Quanto ao ICNF, Maria da Graça Carvalho aponta que “uma das fragilidades identificadas é a falta de uniformização na tomada de decisões entre regiões”, algo que atribui a “níveis elevados de autonomia territorial”. Por essa razão, defende que a reforma deve “clarificar critérios e reforçar a coerência nacional, sem se centrar apenas na redução de prazos”. E acrescenta que “o objetivo principal é ter uma estrutura eficiente, a trabalhar bem, otimizada e que haja uma visão de conjunto da instituição”.

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