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Gabriel Figueiredo estreia a De Pino no Portugal Fashion e está na final do Prémio LVMH

Dois homens jovens em bastidores de desfile de moda, um ajusta a roupa do outro segurando um caderno.

Filho de emigrantes de Arouca, o designer Gabriel Figueiredo estreou-se no Portugal Fashion e, em conversa com o JN, falou das origens familiares, do percurso feito em Paris e da presença na final do Prémio LVMH.

Estreia de Gabriel Figueiredo no Portugal Fashion

Embora Paris seja o lugar onde nasceu, cresceu e consolidou a carreira, foi no Porto que Gabriel Figueiredo voltou a sentir aquela sensação de regresso a casa.

No sábado, o criador apresentou pela primeira vez a De Pino no calendário do Portugal Fashion, numa apresentação que decorreu no Hotelier, no coração da cidade. Trata-se de uma estreia feita numa fase especialmente relevante do seu percurso, uma vez que integra o restrito lote de finalistas do Prémio LVMH, uma das distinções internacionais mais reconhecidas entre jovens criadores de moda.

Trazer a marca a Portugal teve, para o designer, um peso que foi além do lado profissional. Regressar ao país dos pais permitiu-lhe reencontrar uma parte da sua história que continua muito viva. "É superespecial porque Portugal é um país que está superligado à minha família e à minha infância", disse ao JN. E sintetiza o que sentiu ao mostrar o trabalho perante o público português numa frase: "Sinto-me mais acolhido, mais sentimental."

Entre Paris e Arouca

Os pais deixaram Arouca e emigraram para França na década de 1970, mas a ligação à terra de origem manteve-se intacta. Ainda hoje, Gabriel Figueiredo regressa com frequência à região, procurando ali uma pausa face ao ritmo acelerado da moda internacional. "É uma zona superbonita. Temos a serra da Freita, os passadiços... Quando vou é mesmo para relaxar", partilha.

Essa herança portuguesa também atravessa a identidade da marca. De Pino recupera o apelido da avó e nasce do desejo de manter viva essa memória familiar. Lançada em 2020, a etiqueta afirma-se por uma linguagem concetual, onde a sofisticação convive com uma dimensão mais descontraída e inesperada.

O designer explica que gosta de começar pela imagem da mulher parisiense - cuidada, elegante e sofisticada - e depois acrescentar-lhe "um toque um bocadinho mais louco e engraçado". O objetivo é tornar as peças "menos sérias", sem abdicar do rigor do trabalho artesanal.

Percurso profissional entre a Maison Margiela e a Christian Dior

Licenciado em Moda em 2017 e com mestrado em Design de Moda pela La Cambre, em Bruxelas, Gabriel Figueiredo deu os primeiros passos profissionais na Maison Margiela Artisanal, onde trabalhou com John Galliano e Glenn Martens. Em novembro de 2025, passou a colaborar como freelancer no ateliê feminino da Christian Dior.

Um momento decisivo

A entrada no grupo de finalistas do Prémio LVMH é mais um marco numa carreira em crescimento. O vencedor será anunciado a 4 de setembro, em Paris, e receberá 400 mil euros, além de um programa de mentoria com a duração de um ano no grupo de luxo da Louis Vuitton.

Caso conquiste o prémio, Gabriel Figueiredo já tem claro o que fará em primeiro lugar. Neste momento, trabalha sozinho na De Pino e considera que o apoio financeiro poderá mudar a escala do projecto. "Os 400 mil euros podem mudar muita coisa. Talvez não para criar uma grande equipa, mas para ter uma ou duas pessoas a trabalhar comigo. Isso permitia desenvolver muito mais a marca", conclui.

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