O “pequeno David” do mundo tech acaba de pôr cá fora o Phone 4a Pro: um smartphone bem musculado, com preço abaixo dos 500 euros. Para chegar a um público mais vasto, a Nothing abdica do design transparente que, até aqui, era a sua imagem de marca. Será que a aposta compensa? Para responder, usei o Nothing Phone (4a) Pro durante um mês.
Vale a pena recordar o momento em que a Nothing entrou no mercado. Criada por Carl Pei (antigo líder da OnePlus), a start-up londrina apresentou-se com a ambição de agitar um sector dos smartphones que, segundo a própria, tinha ficado aborrecido.
Numa altura em que quase todos os telemóveis pareciam iguais, a Nothing destacava-se com uma traseira transparente arrojada e com o famoso “Glyph”: faixas luminosas embutidas na parte de trás. Apesar de toda essa diferença, a marca nunca conseguiu realmente afirmar-se contra gigantes como a Samsung, a Apple ou a Xiaomi.
A empresa respondeu com a família “Phone (a)”, focada num rácio qualidade-preço difícil de bater. As vendas melhoraram de forma clara, mas ainda assim não chegaram para ombrear com os colossos. Este ano, a Nothing sobe a fasquia com um Phone (4a) Pro mais poderoso do que o (4a), mantendo-se, ao mesmo tempo, acessível. A mudança maior, porém, está no visual: para conquistar o grande público, a Nothing redesenhou o equipamento. Mais contido, este modelo só exibe a identidade da marca em pequenos detalhes - um risco que pode desagradar aos fãs da primeira hora.
Quem me acompanha já sabe: gosto de marcas que tentam mexer com as regras de uma indústria de smartphones que parece emperrada. Por isso, acompanhei a Nothing desde o início. Esta viragem estratégica deixou-me, naturalmente, curioso, e pedi ao Pierre, editor de tecnologia no Presse-citron, para me deixar testar o Phone (4a) Pro. Como aceitou, posso agora partilhar a minha opinião depois de um mês de utilização. Spoiler: foi um verdadeiro favorito!
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A Nothing muda de estilo
A primeira coisa que salta à vista quando se tira o Nothing Phone (4a) Pro da caixa é o design. Sempre aplaudi a ousadia estética da marca e, com o tempo, até me habituei à traseira transparente das gerações anteriores.
Com o Phone (4a) Pro, a Nothing arrisca ao abandonar esse visual tão característico. O Phone (4a) Pro passa a ter um belíssimo chassis unibody em alumínio escovado, que contrasta com o plástico dos modelos anteriores. Ao toque, sente-se um produto claramente premium, com acabamentos irrepreensíveis. As laterais planas oferecem uma pega firme e segura. Até o “clique” dos botões físicos parece alinhado com essa preocupação de qualidade. A sensação é mesmo a de estar a manusear um equipamento topo de gama.
Ainda assim, esta abordagem mais “clássica” não apaga o lado irreverente da Nothing. As grandes faixas LED desaparecem, mas dão lugar a uma nova interpretação do Glyph Matrix, bem mais discreta. Junto ao módulo de câmaras, no canto superior esquerdo, a Nothing colocou um pequeno ecrã circular composto por micro-LED. Este visual retro, com ar de “pixel-art”, deverá agradar ao público em geral e, ao mesmo tempo, tranquilizar quem segue a marca desde o início.
No dia a dia, este segundo ecrã traz várias funções herdadas do Phone 3. Pode mostrar animações personalizadas para chamadas recebidas, a contagem decrescente do temporizador enquanto cozinha, ou um pequeno ícone subtil para indicar que o seu motorista Uber já chegou. Na prática, o Glyph Matrix acaba por ser divertido e útil para se manter afastado do ecrã principal sem perder o essencial.
Um ecrã deslumbrante
Enquanto muitos fabricantes costumam poupar neste ponto, a Nothing aposta forte no ecrã. Com tecnologia AMOLED, o painel de 6,83’’ do Phone (4a) Pro é uma pequena maravilha. As margens à volta são extremamente finas e o recorte da câmara frontal é minúsculo - precisamente o oposto do iPhone 17e, que custa mais 200 euros.
Em utilização, o ecrã é um prazer. Além de contar com uma taxa de actualização adaptativa que chega aos 144 Hz (algo normalmente reservado aos smartphones gaming mais caros), destaca-se sobretudo pela luminosidade.
Se costuma ver séries na Netflix ou vídeos no YouTube nos transportes, vai gostar de saber que o ecrã consegue atingir 5000 nits de pico de brilho.
O contraste impressiona, os pretos são profundos (obrigado, OLED) e as cores surgem vivas sem cair em exageros. Também os ângulos de visão são exemplares. Em suma, a experiência é a de um smartphone premium. Irrepreensível.
Uma interface fora do comum
Ter um smartphone bonito com um grande ecrã é importante, mas o software tem de acompanhar. O Phone (4a) Pro corre Nothing OS (baseado na versão mais recente do Android). No Presse-citron, como sabe, somos fãs desta interface desde o início - e, pessoalmente, também me agrada bastante.
Ainda mais porque, em 2026, o Nothing OS atingiu um nível de maturidade notável. Enquanto alguns fabricantes carregam os seus telemóveis acessíveis com apps pré-instaladas dispensáveis, publicidade disfarçada ou interfaces cheias de cor, o Nothing OS segue o caminho da sobriedade. É leve, rápido, fluido e responsivo.
A estética “dot-matrix” típica da marca - com fontes pontilhadas e ícones monocromáticos (que até transformam os logótipos de apps de terceiros como Instagram ou WhatsApp em preto e branco) - dá personalidade ao ecrã inicial. É daquelas coisas que se ama ou se detesta. Eu estou do lado de quem adora.
Mais do que o aspecto, o que me conquistou foi a consistência visual e o incentivo à desconexão. Com um ecrã inicial a preto e branco, há menos tentação de se perder nas cores berrantes das redes sociais. Dos widgets interactivos (destaque para o widget do tempo e o leitor de música) aos atalhos rápidos, tudo foi desenhado para ser extremamente funcional e mais confortável para os olhos.
A combinação deste software muito leve com um ecrã super fluido faz com que cada interacção seja um prazer. Uma experiência premium de ponta a ponta.
Rápido e com muita autonomia
Por trás deste lado estético muito bem conseguido, a Nothing optou por uma ficha técnica equilibrada. Para manter os custos sob controlo, não há aqui um processador topo de gama caríssimo; em vez disso, entra o competente Snapdragon 7 Gen 4 da Qualcomm. Não vai bater recordes em benchmarks, mas é um chip que já provou o seu valor. A Nothing aposta no equilíbrio - e acerta.
Na prática, o desempenho é muito bom. Multitarefa pesada com uma dezena de aplicações abertas, edição rápida de vídeo para reels no Instagram ou jogos 3D mais exigentes: o Nothing Phone (4a) Pro não vacila. Mesmo depois de longas sessões a jogar, não notei quebras incómodas na taxa de fotogramas, e o equipamento também não aquece em demasia.
O grande destaque, contudo, é a eficiência energética do Snapdragon 7 Gen 4. Combinado com uma bateria generosa de 5080 mAh, o Phone (4a) Pro mostrou ser um verdadeiro maratonista. Mesmo com um uso muito intensivo (centenas de e-mails, chamadas, navegação GPS, redes sociais, fotografias e vídeos), terminei todos os dias com mais de 35% de bateria à meia-noite. Se usar de forma mais moderada, chega-se facilmente aos dois dias de autonomia.
A Nothing ainda acrescenta carregamento rápido com fios a 50W. Em média, demorei menos de 45 minutos a voltar aos 100% e cerca de 20 minutos para chegar aos 50%. Só é pena não trazer carregador na caixa.
Melhorias claras na fotografia
A fotografia é, muitas vezes, onde os smartphones de gama média escorregam. Para reduzir esse risco, a Nothing equipou o Phone (4a) Pro com um conjunto bem ambicioso. Além do sensor principal de 50 Mpx, inclui um segundo sensor de 50 Mpx com teleobjectiva periscópica (zoom óptico 3,5x). Algo inédito num smartphone abaixo dos 500 euros.
O hardware impressiona, mas o que conta é o uso real. Começando pelo sensor principal, o resultado é convincente. Não chega ao nível de um Pixel 10a, mas o Phone (4a) Pro surpreende em boas condições de luz. Em pouca luz, também se porta bem - o que é pouco comum nesta faixa de preço. Nos retratos, destaca-se pelo recorte preciso e por um bokeh relativamente natural. Missão cumprida, portanto, para a câmara principal.
Já a teleobjectiva é simplesmente fantástica. Sinceramente, nunca tinha visto algo assim num smartphone a menos de 500 euros. Graças a esta lente, o Phone (4a) Pro consegue fotografar com zoom 3,5x sem perdas. Até aos 7x, os resultados são realmente impressionantes. Assim, é um telemóvel que vai agradar a quem fotografa concertos, arquitectura, ou até a “paparazzi” em início de carreira. Como é habitual, a qualidade diminui quando a luz baixa, mas continua a ser claramente melhor do que na concorrência - com excepção do Pixel 10a, que se mantém intocável.
O Phone (4a) Pro também traz uma ultra grande-angular com sensor de 8 Mpx. Não faz milagres, mas ainda assim deixa espaço para explorar a criatividade.
Por fim, o Phone (4a) Pro inclui um conjunto de filtros criativos para tornar a fotografia mais divertida. Vêm cerca de dez de origem, e também é possível descarregar packs gratuitos, partilhados pela comunidade de fotógrafos fãs dos smartphones Nothing. Muito divertido.
Se tivesse de apontar um defeito à experiência fotográfica, seria a irregularidade do algoritmo de processamento “Ultra XDR” da Nothing. Em alguns cenários, a inteligência artificial exagera um pouco, levantando sombras de forma agressiva, o que pode deixar certas imagens com um aspecto ligeiramente artificial. Sim, estou a ser picuinhas. E é ainda menos grave porque uma actualização deverá resolver.
O verdadeiro trunfo: o preço!
Chegamos ao ponto decisivo. Numa fase em que os preços na tecnologia não param de subir, a Nothing dá um golpe certeiro. O Nothing Phone (4a) Pro custa entre 449 e 519 euros (dependendo da configuração de armazenamento e RAM).
Olhando para os rivais, é difícil encontrar um negócio melhor. O Pixel 10a quase não evolui face ao 9a, o que o coloca logo em desvantagem. O mesmo acontece com o recém-anunciado Galaxy A57. E o iPhone 17e? O preço parece completamente fora da realidade. Fico mesmo a pensar como é que a Nothing conseguiu colocar no mercado um smartphone tão completo por este valor.
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A minha opinião sobre o Nothing Phone 4a Pro
Como já percebeu, o Phone (4a) Pro conquistou-me. Carl Pei e a sua equipa parecem ter encontrado a fórmula certa. Design premium e com identidade, ecrã AMOLED impressionante, autonomia tranquila, desempenho muito sólido, e fotografia acima da média: o salto de qualidade da Nothing é, sinceramente, espantoso.
Podia criticar a ausência de carregamento sem fios, ou implicar com pequenos pormenores pouco relevantes, mas seria procurar problemas. Fique com isto: se tem um orçamento apertado, o Phone (4a) Pro é, de longe, o smartphone abaixo dos 500 euros mais completo. E ainda tem aquele “algo a mais” que faz toda a diferença. Um verdadeiro favorito!
Nothing Phone (4a) Pro
Desde 449€
Pontuação: 9
| Categoria | Nota |
|---|---|
| Design e ecrã | 9.5/10 |
| Desempenho e interface | 9.0/10 |
| Autonomia e carregamento | 9.0/10 |
| Câmara | 8.0/10 |
| Relação qualidade-preço | 9.5/10 |
Gostámos
- Design e acabamentos premium e arrojados
- Ecrã deslumbrante
- Desempenho, autonomia e carregamento
- Bom em fotografia
- Preço imbatível!
Gostámos menos
- Ultra grande-angular um pouco limitada
- Sem carregamento sem fios
- Apenas 3 anos de atualizações
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